Informação foi divulgada depois que ataques de ambos os lados no fim de semana ameaçaram comprometer o frágil memorando de entendimento alcançado por Washington e Teerã Pessoas caminham perto de um mural anti-EUA em Teerã, Irã , 28 de junho de 2026 — Foto: Majid Asgaripour/WANA (West Asia News Agency) via REUTERS Equipes técnicas do Irã e dos Estados Unidos que trabalham na implementação de um acordo interino de paz devem se reunir em Doha nos próximos dias, disse uma fonte à Reuters nesta segunda-feira. A informação foi divulgada depois que ataques de ambos os lados no fim de semana ameaçaram comprometer o frágil memorando de entendimento alcançado por Washington e Teerã há quase duas semanas. Os mediadores estabeleceram canais de comunicação para reduzir tensões diante de eventuais incidentes, e as negociações técnicas devem continuar, acrescentou a fonte, que tem conhecimento das discussões. No entanto, um alto funcionário iraniano foi citado afirmando que as reuniões técnicas ainda não estavam confirmadas. Os Estados Unidos e o Irã assinaram, em 17 de junho, um memorando de entendimento de 14 pontos destinado a encerrar quatro meses de conflito. Pelo acordo preliminar, ambos os países concordaram em cessar as hostilidades e reabrir o Estreito de Ormuz, por onde normalmente transita um quinto do petróleo e do gás natural liquefeito comercializados no mundo. O fechamento da hidrovia fez os preços do petróleo dispararem para acima de US$ 100 por barril, provocando uma nova aceleração da inflação global e criando um problema político para o presidente dos EUA, Donald Trump, ao elevar os preços dos combustíveis poucos meses antes das eleições de meio de mandato. O acordo abre caminho para 60 dias de negociações mais aprofundadas sobre temas mais sensíveis, como o programa nuclear iraniano, embora os dois lados tenham apresentado versões conflitantes sobre o que foi efetivamente acertado. O presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, afirmou nesta segunda-feira que US$ 6 bilhões dos US$ 12 bilhões em ativos iranianos congelados no Catar serão liberados em decorrência do acordo e devolvidos ao país, informou a mídia estatal iraniana. Ele acrescentou que o entendimento recente suspendeu as sanções aos setores de petróleo e petroquímica do Irã, classificando-o como "uma grande vitória para o povo iraniano". Bahrein e Kuwait são atingidos por ataques Um funcionário do governo dos EUA também disse à Reuters, no domingo, que os dois lados concordaram em interromper as hostilidades. "As negociações técnicas devem continuar em todas as áreas do memorando de entendimento. Ambos os lados recuarão por enquanto e as embarcações poderão navegar livremente", disse a autoridade. O vice-ministro das Relações Exteriores do Irã, Kazem Gharibabadi, afirmou nesta segunda-feira que reuniões dos grupos técnicos de trabalho não estavam previstas para esta semana e que as conversas no Catar ainda não estavam confirmadas, segundo a agência iraniana Tasnim. Segundo ele, as consultas com o Catar, incluindo o acompanhamento da implementação dos compromissos assumidos pela outra parte, prosseguiam normalmente. Os preços do petróleo se estabilizaram em torno de US$ 72 por barril do Brent nesta segunda-feira, diante das notícias sobre a retomada da diplomacia. Analistas do ING afirmaram que "essa complacência é estranha", diante dos elevados riscos que ainda cercam o mercado de petróleo. Uma retomada das negociações ocorreria após vários dias de ataques e contra-ataques, desde que um projétil iraniano atingiu um navio cargueiro no Estreito de Ormuz, na quinta-feira. Tanto os EUA quanto o Irã acusaram o outro lado de violar o cessar-fogo interino. O Irã lançou mísseis e drones contra instalações militares dos EUA no Kuwait e no Bahrein na madrugada de domingo, pouco depois de Trump divulgar sua mais recente ameaça ao país. "Pode chegar um momento em que não conseguiremos mais agir com razoabilidade e seremos forçados a concluir militarmente o trabalho que começamos com muito sucesso", escreveu Trump nas redes sociais. "Se isso acontecer, a República Islâmica do Irã deixará de existir!", acrescentou. Equipes de defesa civil e resgate do Bahrein trabalham em um prédio residencial que, segundo o Ministério do Interior do Bahrein , foi atingido por um drone iraniano, em Muharraq, Bahrein , em 28 de junho de 2026 — Foto: Polícia do Bahrein /Divulgação via REUTERS Incerteza sobre o mais recente acordo de cessar-fogo no Líbano Cerca de uma hora após a publicação de Trump, o Exército do Kuwait informou que suas defesas aéreas respondiam a ataques com mísseis e drones, enquanto o Bahrein anunciou que sirenes haviam sido acionadas no país. A Guarda Revolucionária Islâmica do Irã informou que suas forças navais e aéreas lançaram operações com mísseis e drones contra instalações militares dos EUA no Kuwait e no Bahrein. Segundo o grupo islâmico, os ataques americanos haviam violado o cessar-fogo e as bases dos EUA na região "experimentarão o inferno nos próximos dias". Horas depois, alarmes voltaram a soar no Bahrein, onde as autoridades informaram que um ataque iraniano danificou um edifício residencial. O Bahrein pediu ao Conselho de Segurança da ONU que convoque uma sessão de emergência para responsabilizar o Irã. O Exército do Kuwait informou ter interceptado dois mísseis balísticos, sem registro de danos ou vítimas. Enquanto isso, o presidente do Parlamento do Líbano, Nabih Berri, importante aliado do Hezbollah apoiado pelo Irã, criticou um acordo mediado pelos Estados Unidos entre Líbano e Israel destinado a encerrar o conflito paralelo entre os dois países. Berri advertiu nesta segunda-feira que o acordo poderia abrir caminho para tentativas de dividir os libaneses e afirmou que ele não será implementado. A mais recente rodada de confrontos no Líbano começou depois que o Hezbollah atacou Israel no início da guerra, em apoio, segundo o grupo, ao seu aliado Irã. A resposta israelense provocou deslocamentos em massa e deixou mais de 4.000 mortos no Líbano. Teerã afirmou que o fim desse conflito e a retirada das tropas israelenses do sul do Líbano são parte integrante de qualquer acordo firmado com os Estados Unidos para encerrar a guerra mais ampla iniciada pelos ataques conjuntos de EUA e Israel contra o Irã em 28 de fevereiro. Israel informou no domingo que atacou o Hezbollah, destruindo infraestrutura subterrânea. A ofensiva ocorreu após outro ataque realizado no sábado, pouco depois da mais recente trégua acertada entre Israel e Líbano na sexta-feira. Soldados israelenses são vistos em um memorial na fronteira com o Líbano, no norte de Israel, no domingo, 28 de junho de 2026 — Foto: AP/Ohad Zwigenberg