Teerã afirmou que não atacará se a pausa se mantiver, mas reiterou estar sobre o controle do Estreito de Ormuz e que não busca uma retomada nas conversas com Washington Uma mulher caminha perto de um outdoor com a imagem do presidente dos EUA, Donald Trump, em um prédio em Teerã, Irã , em 27 de julho de 2026 — Foto: Majid Asgaripour/WANA (West Asia News Agency) via REUTERS Estados Unidos e Irã mantêm nesta segunda-feira a suspensão dos ataques mútuos pelo terceiro dia consecutivo, o que diminuiu as tensões no Oriente Médio. Após 13 noites consecutivas de bombardeios cada vez mais intensos, Mike Waltz, embaixador americano na Organização das Nações Unidas (ONU), disse ontem que o presidente Donald Trump está dando espaço para que as negociações avancem, após ter suspendido, segundo a imprensa americana, um plano de ampliar a ofensiva no Oriente Médio. Teerã, por sua vez, afirmou que não atacará os EUA se a pausa se mantiver, mas reiterou estar sobre o controle do Estreito de Ormuz e que não busca uma retomada nas conversas com Washington. O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmail Baqaei, reiterou em uma entrevista coletiva televisionada nesta segunda-feira que a República Islâmica não havia pedido para retomar as negociações de paz com os EUA. A Jordânia, inclusive, relatou ter abatido dois drones e fontes de segurança iraquianas disseram que drones atingiram uma base de combatentes curdos da oposição iraniana no norte do Iraque -- sinais de que Teerã pode estar testando o novo cessar-fogo informal com Washington. Não houve relatos de vítimas em nenhum dos incidentes. A decisão de Trump de suspender a campanha refletiu a avaliação de seus principais comandantes militares de que os bombardeios, destinados a romper o controle do Irã sobre o estreito, haviam chegado ao limite do que poderiam alcançar, segundo uma autoridade americana e diversas reportagens da mídia dos EUA. A autoridade americana disse à Reuters que comandantes militares haviam informado ao presidente que estavam ficando sem alvos e que o chefe do Estado-Maior Conjunto, general Dan Caine, também havia manifestado preocupação com a redução dos estoques de armas de defesa aérea usadas para proteger bases americanas na região. Reportagens semelhantes, indicando que assessores civis e militares haviam aconselhado Trump a interromper a campanha, foram publicadas no fim de semana pelo New York Times, CNN, Axios e outros veículos de comunicação. O fim da campanha de bombardeios americana derrubou os preços do petróleo diante da expectativa de que os fluxos globais de abastecimento interrompidos pudessem ser retomados. O petróleo Brent, que na semana passada havia superado brevemente US$ 100 o barril pela primeira vez desde maio, caía mais de 8% no meio da manhã desta segunda-feira, para pouco menos de US$ 90. Mas, em uma clara tentativa de sinalizar que os bombardeios americanos haviam fracassado em seu objetivo, Teerã indicou que ainda controlava a hidrovia mais importante do mundo para os mercados de energia. Diversos veículos da mídia estatal iraniana publicaram a mesma reportagem, citando uma "fonte informada" segundo a qual o Irã havia obrigado seis "navios infratores" a retornar na manhã desta segunda-feira depois que tentaram atravessar o estreito sem sua permissão. Uma das embarcações, segundo a fonte, havia sofrido "um acidente". "Como anunciado anteriormente, a rota de tráfego no Estreito de Ormuz é a rota especificada pelo Irã, e as outras rotas estão contaminadas e não têm saída", disseram as reportagens da mídia estatal iraniana, citando a fonte. Embarcações no Estreito de Ormuz, perto da praia de Bandar Abbas, Irã, 27 de julho de 2026 — Foto: Razieh Poudat/ISNA/via WANA (West Asia News Agency) via REUTERS Trump lançou sua nova campanha de bombardeios para punir o Irã depois que Teerã disparou contra navios que utilizavam uma rota pelo estreito promovida pelos Estados Unidos, que orientaram as embarcações a navegar perto da costa de Omã. O Irã afirma que os navios só podem passar por um canal que corre mais perto de sua própria costa, que controla e onde pretende cobrar taxas de trânsito. As duas semanas de novos bombardeios americanos mataram dezenas de pessoas no Irã e destruíram pontes e túneis no sul do país, além de alvos militares. Quatro militares americanos morreram em ataques de resposta do Irã contra bases dos Estados Unidos em países árabes vizinhos. O Irã também atingiu infraestrutura civil em países do Golfo, no que afirmou ser uma retaliação por ataques americanos contra alvos civis. Na semana passada, os aliados houthis do Irã ameaçaram ampliar a interrupção do fornecimento global de petróleo para uma segunda grande hidrovia ao anunciarem um bloqueio à indústria petrolífera da Arábia Saudita no Mar Vermelho, levando os preços do petróleo ainda mais para cima. A interrupção da nova campanha de bombardeios americana não deixa uma indicação clara de que tipo de pressão Washington poderá exercer para alcançar o objetivo de Trump de romper o controle do Irã sobre o estreito. Washington e Teerã chegaram a um acordo em junho sobre uma estrutura para negociações previstas para ocorrer até o fim de agosto, com o objetivo de resolver questões importantes, como o programa nuclear iraniano. Mas os dois lados divergem sobre o significado da linguagem do memorando a respeito do Estreito de Ormuz, com Washington insistindo que o documento exige que Teerã permita a livre navegação, enquanto o Irã afirma que ele lhe concede autoridade para supervisionar o trânsito. O Irã pretende formalizar seu controle sobre o estreito por meio de um acordo com Omã, que controla a margem oposta. Uma delegação de alto nível de Omã esteve em Teerã no fim de semana para discutir o futuro do estreito. Os ministros das Relações Exteriores do Catar, Emirados Árabes Unidos e Arábia Saudita realizaram, cada um, telefonemas para discutir o estreito com o ministro das Relações Exteriores de Omã, Badr Albusaidi, segundo reportagens publicadas nesta segunda-feira pelas mídias estatais catariana, emiradense e saudita. O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, que iniciou a guerra em fevereiro ao lado de Trump, mas não participou das negociações entre Estados Unidos e Irã para encerrá-la, deve se reunir com Trump em Washington no início desta semana.
EUA e Irã mantêm trégua pelo 3° dia em meio à tentativa de retomada das negociações
Teerã afirmou que não atacará se a pausa se mantiver, mas reiterou estar sobre o controle do Estreito de Ormuz e que não busca uma retomada nas conversas com Washington







