Falas devem aliviar os temores de retorno à guerra em larga escala na região após hostilidades desta semana, que paralisaram Ormuz e fizeram mediadores dobrarem esforços O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, chegou a uma conferência de imprensa no cume da OTAN em Ancara, Turquia, em 8 de julho de 2026. — Foto: AP/Francisco Seco As negociações entre EUA e Irã sobre um acordo de paz permanente continuam, segundo uma autoridade americana, apesar das novas trocas de ataques entre os dois países nos últimos dias. As declarações devem aliviar os temores de um retorno a uma guerra em larga escala na região após as hostilidades desta semana, que paralisaram o Estreito de Ormuz e fizeram com que mediadores redobrassem os esforços para recolocar os dois lados na mesa de negociação. Segundo a autoridade, as negociações em andamento são de caráter técnico e foram mantidas mesmo depois de os EUA terem realizado bombardeios contra alvos militares iranianos em retaliação a ataques contra embarcações comerciais no Estreito de Ormuz. Teerã respondeu lançando mísseis e drones contra bases americanas no Bahrein, no Catar, no Kuwait e na Jordânia, país que até então vinha sendo poupado nas ofensivas iranianas contra os vizinhos no Golfo Pérsico. A escalada militar, que gerou temores na região de que os dois países voltassem a uma guerra em larga escala, como em fevereiro, evidenciou a fragilidade do acordo provisório de cessar-fogo firmado pelas partes em meados de junho, durante uma reunião na Suíça. Os dois lados acusam um ao outro de violar a trégua. Washington afirma que Teerã continua atacando embarcações, enquanto o Irã acusa os Estados Unidos de interferirem em seu controle sobre a hidrovia. O presidente americano, Donald Trump, chegou a afirmar na quarta-feira que a trégua estava "encerrada". No entanto, disse que não impediria o prosseguimento das negociações, embora tenha também atacado os líderes do regime iraniano e declarado que se cansou de dialogar com Teerã. Com as novas hostilidades, o tráfego no Estreito de Ormuz, que deveria ser reaberto sob o acordo provisório, voltaram a diminuir. Os preços do petróleo subiram mais de 5% na quarta-feira, mas voltaram a recuar deste então. Na manhã de hoje, os contratos do Brent, referência mundial, para entrega em setembro eram negociados a US$ 76,19 por barril, queda de 0,14%. Além dos ataques, as conversas entre os dois lados perderam ritmo nesta semana enquanto o Irã realizava o funeral do aiatolá Ali Khamenei, morto no primeiro dia da guerra lançada por EUA e Irã ao país. O antigo líder supremo foi sepultado ontem na cidade de Mashhad, no nordeste iraniano. Carregadores transportam o caixão do ex-líder supremo do Irã, aiatolá Ali Khamenei, em direção ao santuário do Imã Ali, na quarta-feira, 8 de julho de 2026, em Najaf, no Iraque — Foto: AP/Anmar Khalil Motjaba Khamenei, escolhido como sucessor do pai, não compareceu à cerimônia por questões de segurança, segundo a imprensa estatal iraniana. Desde o que assumiu o cargo, o novo líder supremo do Irã não apareceu em público e nem divulgou vídeos, o que continua alimentando especulações sobre seu estado de saúde e envolvimento nas negociações com os EUA. Ao falar sobre a sequência das negociações, a autoridade americana classificou os ataques iranianos contra embarcações no Estreito de Ormuz como um ato de terrorismo, que violariam as condições previstas no acordo provisório. Teerã, por sua vez, insiste que os navios que cruzam a hidrovia devem solicitar autorização do regime e afirmou que pretende criar um sistema permanente de administração da passagem, que poderá incluir a cobrança de taxas, o que Washington considera inaceitável. Apesar da escalada militar, diplomatas da região avaliam que ainda existe espaço para preservar a trégua, embora admitam que as negociações tenham entrado em seu momento mais delicado desde a assinatura do acordo provisório. O primeiro-ministro do Catar, xeque Mohammed bin Abdulrahman Al Thani, discutiu ontem a escalada militar em uma ligação com o chanceler, Abbas Araqchi, e afirmou que os ataques contra embarcações comerciais corroem a confiança entre as partes e prejudicam os esforços para garantir a segurança regional. Uma autoridade regional de inteligência envolvida nos esforços de mediação afirmou à agência Associated Press que o conflito chegou a um estágio crítico à medida que aumenta a desconfiança mútua entre as partes. Ainda assim, autoridades de alto escalão dos países envolvidos têm mantido contatos ininterruptos para tentar salvar a trégua. Segundo a autoridade, os chanceleres do Paquistão e do Catar, além do chefe da inteligência do Egito, lideram os esforços. O presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, cujo país sediou a cúpula da Otan com a presença de Trump, e líderes da Arábia Saudita também participam das negociações. Além da questão do Estreito de Ormuz, as negociações entre EUA e Irã buscam resolver disputas antigas e complexas entre os dois países, como a situação do programa nuclear iraniano.