PF e PGR acertam ao recusar propostas que nada de novo trazem à investigação do caso Master 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Daniel Vorcaro, ex-dono do Master, e Paulo Henrique Costa, ex-presidente do BRB — Foto: Ana Paula Paiva e Paulo H. Carvalho/Agência Brasília Fizeram bem a Polícia Federal (PF) e a Procuradoria-Geral da República (PGR) em rejeitar as propostas de delação premiada de Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, e de Paulo Henrique Costa, ex-presidente do Banco de Brasília (BRB). Pelo que veio a público das negociações, elas não acrescentariam nada de relevante ao que já se sabe sobre a maior fraude bancária da História do país. É preciso fechar a porta à tentativa dos acusados de aproveitar os benefícios da lei sem oferecer informações que contribuam para as investigações, já bastante avançadas a partir do material apreendido nas operações policiais. Apesar da mudança de advogados e das promessas de colaboração, sete meses depois de preso pela primeira vez, Vorcaro ainda não conseguiu convencer os investigadores de que está realmente disposto a falar o que sabe sobre os desmandos do Master e sua atuação nos bastidores da República. Ao contrário. A cada novo episódio que as autoridades trazem a público, sua situação se torna mais constrangedora. A proposta de delação de Vorcaro nem citava os afagos ao senador Ciro Nogueira, com viagens internacionais, hospedagens em hotéis de luxo e outras regalias, na tentativa de aprovar no Congresso o aumento do limite do Fundo Garantidor de Créditos para favorecer os papéis podres do Master. Tampouco o pedido do senador Flávio Bolsonaro (PL), pré-candidato à Presidência, para financiar o filme “Dark Horse”, sobre o pai, Jair Bolsonaro. Nem as relações nada republicanas de seu ex-sócio Augusto Lima com o senador Jaques Wagner, forçado a deixar a liderança do governo no Senado depois da operação da PF que revelou suspeitas de ter recebido vantagens indevidas. Vorcaro não achava tudo isso relevante? Não queria comprometer amigos? Que mais omitiu? Há também dúvidas pertinentes sobre o destino do robusto patrimônio de Vorcaro. Ao reforçar o pedido para manutenção da prisão dele, a PF revelou ao Supremo Tribunal Federal ter identificado indícios de movimentações “compatíveis com estratégias de ocultação, blindagem ou deslocamento patrimonial”. Seria o cúmulo formalizar qualquer acordo de delação enquanto o banqueiro tenta esconder o dinheiro obtido ilegalmente. Da mesma forma, Paulo Henrique Costa precisa sair da retranca e falar o que sabe. Ele é peça fundamental no escândalo, uma vez que a tentativa de compra do Master pelo BRB só não foi adiante por ter sido barrada pelo Banco Central. Certamente teria contribuição relevante às investigações. Na avalição da PGR, no entanto, sua proposta de delação tem “reduzida utilidade e débil eficácia potencial”. Não ajudaria na recuperação de ativos nem no ressarcimento aos cofres públicos. A colaboração premiada é um instrumento legítimo, que pode contribuir de forma notável para investigações — não como prova em si, mas como ponto de partida para desvendar crimes complexos. Mas não pode ser usada apenas para beneficiar o réu. Se quiser obter benefícios como redução de pena ou mudança de regime, o delator precisa apontar caminhos, fatos ignorados ou não suficientemente esclarecidos. Falar o que polícia e MP já sabem é ridículo. Omitir o que também já sabem é mais ridículo ainda. A hesitação de Vorcaro e Costa parece significar a aposta em que o estardalhaço em torno da fraude bilionária acabará em nada. Se isso acontecer, será uma lástima.
Delações seletivas têm mesmo de ser rejeitadas
PF e PGR acertam ao recusar propostas que nada de novo trazem à investigação do caso Master









