O ex-executivo pretendia compartilhar informações sobre as negociações com o Banco Master, investigadas na operação Compliance Zero e em outros inquéritos. O procurador-geral da República, Paulo Gonet, avaliou, no entanto, que a proposta entregue pela defesa "apresenta reduzida utilidade e débil eficácia potencial para os fins a que deveria servir". "Não há, ainda, sinalização mínima do potencial de ressarcimento da pretendida colaboração, que a diferencie dos resultados já alcançados pelas autoridades cíveis e criminais engajadas na busca patrimonial", diz a decisão assinada pelo procurador-geral Paulo Gonet. Quem é Paulo Henrique Costa, ex-presidente do BRB preso pela PF A recusa foi revelada pelo jornal "Folha de S. Paulo" e confirmada pela TV Globo. O executivo é suspeito de não seguir práticas de governança e permitir negócios com o Banco Master sem lastro. De acordo com investigadores, Paulo Henrique Costa teria recebido pelo menos seis imóveis avaliados em R$ 146 milhões de Daniel Vorcaro, dono do Master, em troca de facilitar o esquema envolvendo o banco. Dois desses empreendimentos sediados na capital federal. Defesa queria avançar em delação No início da semana, a defesa de Paulo Henrique Costa pediu a revogação da prisão preventiva e indicou que queria avançar no acordo de delação. Os advogados cobravam que a PGR se manifestasse sobre a possibilidade de firmar um acordo de confidencialidade — considerado o primeiro passo para uma eventual delação premiada. ➡️ O acordo de confidencialidade é um compromisso preliminar em que o investigado se obriga a manter sigilo total sobre as negociações e informações compartilhadas antes de formalizar o acordo de delação. No documento enviado ao STF, a defesa afirma que houve uma reunião formal com autoridades em 28 de maio de 2026, mas, segundo os advogados, não houve retorno ou respostas desde então. “Realizada reunião formal com as autoridades […] há mais de duas semanas, não obteve qualquer resposta da Procuradoria”, diz trecho do pedido. Os advogados também questionam a condução das investigações, afirmando que o ex-presidente do BRB não foi interrogado desde a primeira decisão cautelar, em novembro de 2025, há cerca de sete meses. “O requerente […] nunca foi interrogado pelas autoridades. Houve, tão-somente, uma turbulenta acareação, que não foi precedida de interrogatório”, argumenta a defesa. Leia mais notícias sobre a região no g1 DF.