A Polícia Federal se manifestou nesse mesmo sentido na semana passada; ex-banqueiro apresentou segundo proposta, mas investigações dizem que ele ainda não 'virou a chave' Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master — Foto: Ana Paula Paiva/Valor/02/12/2019 A Procuradoria-Geral da República (PGR) deve rejeitar a segunda proposta de delação premiada apresentada pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do extinto Banco Master. A expectativa é de que a posição seja encaminhada nos próximos dias. A Polícia Federal (PF) já se manifestou na semana passada pela rejeição da segunda proposta de acordo por entender que ela não trazia informações novas que possbilitassem ampliar as investigações e que justificassem a concessão de benefícios. Leia mais: A PGR também deve se manifestar sobre o pedido da Polícia Federal para enviar Vorcaro de volta para o Complexo Penitenciário da Papuda. Como mostrou o Valor, a PF entende que ele deveria voltar para a Penitenciária Federal em Brasília, que fica dentro do Complexo e tem um sistema de segurança máxima e uma rotina mais rigorosa que as prisões comuns, o que garantia maior segurança e isolamento de Vorcaro. Diferentemente da Polícia Federal, a Procuradoria ainda não se manifestou formalmente contrária ao acordo no STF. O entendimento na PGR é de que o processo de negociação é demorado e envolve a análise de eventuais contrapropostas e ajustes nos termos que dependem também de uma mudança de postura do investigado, que precisa reconhecer que praticou crimes e entregar novos fatos que permitam ampliar as investigações. No caso de Vorcaro, os investigadores da PF ainda sentiram incômodo com a forma como o banqueiro tem retratado alguns episódios, sem reconhecer situações em que teriam havido crimes. A avaliação é de que ele não teria "virado a chave" totalmente e passado a adotar uma postura realmente colaborativa. Em sua proposta, Vorcaro chegou a sugerir que ele voltasse a administrar a estrutura do Master para pagar a sua multa ao longo dos anos, o que surpreendeu os investigadores. A defesa de Vorcaro não respondeu aos contatos da reportagem.