A Procuradoria-Geral da República (PGR) rejeitou nesta segunda-feira (15) a proposta de delação premiada apresentada pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. A Polícia Federal (PF), que também negociava a colaboração, já havia decidido contra o acordo na semana passada. Gonet entendeu que Vorcaro não apresentou elementos novos e que muito do que foi informado pelo ex-banqueiro teve como base declarações de terceiros. A avaliação é que a colaboração tinha muito de “ouvi dizer que” e pouco aprofundamento, inclusive quanto ao que os investigadores já sabiam apenas com base na perícia feita nos celulares de Vorcaro. O procurador-geral também entendeu que não houve comprometimento, de fato, com a devolução de valores por parte do ex-banqueiro. Em relação ao local de prisão de Vorcaro, o procurador-geral se manifestou contra o pedido da defesa, que queria que ele fosse para a prisão domiciliar. No parecer, segundo apurou o Valor, o PGR aponta que a prisão preventiva já foi chancelada pela Segunda Turma e que não há fato novo que justifique abrandar o tipo de prisão a que ele está submetido. Além disso, Gonet aponta que cabe ao STF definir o local da prisão e que ele deve ser adequado ao risco que o preso oferece. Como mostrou o Valor, a PF defende que Vorcaro vá para a Penitenciária Federal em Brasília. A decisão agora cabe ao ministro André Mendonça, relator do caso no STF. Trata-se da primeira manifestação do PGR desde que Vorcaro mudou sua estratégia de defesa e passou a tentar a colaboração premiada. Diferente da PF, a PGR não havia rejeitado oficialmente a primeira proposta, pois havia entendido que deveria continuar as tratativas para avaliar novas informações apresentadas pela defesa de Vorcaro. Mesmo com as novas informações, porém, a avaliação é de que a proposta não merece prosperar. Diferente da primeira proposta apresentada, a segunda tentativa de delação vinha sendo conduzida pelo criminalista Sergio Leonardo, que é o advogado mais próximo de Vorcaro. Antes o advogado José Luis Oliveira Lima havia sido contratado para tentar a primeira delação, mas acabou dispensado após o fracasso. Além dele, o ex-banqueiro chegou a ser defendido por outros grandes nomes da advocacia, como Pierpaolo Bottini, Roberto Podval e Walfrido Warde, mas todos deixaram a defesa após a segunda prisão de Vorcaro, em março deste ano. A delação era negociada tanto com a PF quanto com a PGR. Com a nova negativa, Vorcaro volta à estaca zero, no mesmo ponto em que estava quando foi preso por ordem de André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), e ainda não negociava a colaboração. Procurada, a defesa de Daniel Vorcaro não respondeu até o momento.
PGR rejeita proposta de delação premiada de Daniel Vorcaro
A Polícia Federal (PF) já havia decidido contra o acordo na semana passada
A PGR rejeitou delação de Daniel Vorcaro, ex-banqueiro (Banco Master), por falta de elementos novos e aprofundamento. Permanece em custodia preventiva; colaborações frágeis sem dados substantivos não prosperam em casos dessa magnitude.













