A chuva acima da média em São Paulo neste início de inverno, contrariando a expectativa de uma estação mais seca e quente, é só uma amostra da diversidade climática que a metrópole deverá encarar com a chegada do El Niño.
Se no contexto nacional as principais características do fenômeno são chuvas mais intensas no Sul e estiagem prolongada no Norte e Nordeste, a posição da capital paulista em uma zona de transição a coloca diante da possibilidade de experimentar os dois cenários.
Os quase cem milímetros de precipitação registrados em 24 horas entre a tarde da última terça (23) e a manhã de quarta (24) –mais da metade do esperado para junho– pode ser observado como uma amostra do que o fenômeno pode fazer ao intensificar os chamados jatos de alto nível.
Essa corrente de vento muito forte em elevadíssimas alturas, ao ganhar ainda mais força, carrega mais chuvas para o Sul e também para o Sudeste, segundo o meteorologista Enver Ramirez, chefe da Divisão de Previsão de Tempo e Clima do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais).
Isso não significa que vai chover mais, pois o El Niño não costuma alterar exageradamente o volume anual médio de precipitações na cidade, que é de aproximadamente 1.400 milímetros. Mas há uma mudança no padrão.








