População civil assumiu várias partes da linha de frente dos resgates e relatam que vidas estão sendo perdidas sem que ajuda oficial chegue a tempo 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Operação de resgate continua na região de La Guaira, na Venezuela — Foto: Federico Parra/AFP RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 27/06/2026 - 18:42 Críticas Crescem na Venezuela pela Lenta Resposta a Terremotos Após os terremotos que devastaram o norte da Venezuela, a população critica a lentidão das operações de resgate do governo. Os moradores assumiram a linha de frente na busca por sobreviventes, enquanto a ajuda oficial é considerada insuficiente. Com mais de 1,4 mil mortos e 50 mil desaparecidos, as reclamações sobre a falta de recursos e coordenação são intensas. Voluntários enfrentam dificuldades para acessar áreas afetadas, enquanto a presidente Delcy Rodríguez é criticada pela resposta do governo. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO Diante de uma torre de 22 andares que desabou e virou um amontoado de escombros após os dois terremotos que abalaram o país na noite de quarta-feira, um popular gritou para a presidente do país, Delcy Rodríguez: "O governo não está fazendo nada pelo povo!". Enquanto aumentam as reclamações sobre a falta de apoio do governo nas operações de resgate a possíveis sobreviventes, familiares e voluntários vasculham os destroços como podem em busca de sobreviventes — apesar da tentativa das autoridades para organizar as buscas e impedir novos riscos. Três dias depois dos dois terremotos que, em menos de um minuto, deixaram 1.403 mortos e mais de 50 mil desaparecidos no norte da Venezuela, a raiva e o sentimento de impotência dos venezuelanos são evidentes. Em La Guaira, cidade litorânea a 40 km de Caracas e uma das áreas mais afetadas pelos tremores, moradores reviravam os escombros para tentar resgatar Dana, uma menina de nove anos que permaneceu soterrada por mais de 18 horas, pedindo socorro. Sua mãe chorava inconsolavelmente. — Desde ontem à noite estamos tentando tirar a menina, e ainda ouvimos a voz dela — disse à AFP Dani Rizo, de 48 anos, um dos moradores que participava das operações de resgate. A ajuda oficial nunca chegou. Horas depois, Rizo contou que a menina morreu, tomado por tristeza, enquanto o corpo permanecia soterrado em uma das dezenas de casas que desabaram em Catia la Mar, no estado de La Guaira. Imagens de satélite mostram antes e depois de área mais devastada por terremotos na Venezuela 1 de 6 Antes e depois dos terremotos de 24 de junho de 2026 no estado venezuelano de La Guaira — Foto: Imagens de satélite ©2026 VANTOR / AFP 2 de 6 Antes e depois dos terremotos de 24 de junho de 2026 no estado venezuelano de La Guaira — Foto: Imagens de satélite ©2026 VANTOR / AFP X de 6 Publicidade 6 fotos 3 de 6 Antes e depois dos terremotos de 24 de junho de 2026 no estado venezuelano de La Guaira — Foto: Imagens de satélite ©2026 VANTOR / AFP 4 de 6 Antes e depois dos terremotos de 24 de junho de 2026 no estado venezuelano de La Guaira — Foto: Imagens de satélite ©2026 VANTOR / AFP X de 6 Publicidade 5 de 6 Antes e depois dos terremotos de 24 de junho de 2026 no estado venezuelano de La Guaira — Foto: Imagens de satélite ©2026 VANTOR / AFP 6 de 6 Antes e depois dos terremotos de 24 de junho de 2026 no estado venezuelano de La Guaira — Foto: Imagens de satélite ©2026 VANTOR / AFP X de 6 Publicidade Governo interino declarou a região do estado de La Guaira como 'zona de desastre' Os venezuelanos pedem mais rapidez no envio de equipes de resgate e de máquinas capazes de remover os pesados blocos de concreto. Eles afirmam precisar de geradores de energia, esmerilhadeiras para cortar estruturas metálicas e retroescavadeiras para retirar os escombros. — Há um espaço onde está uma moça que responde quando falo com ela. Ela se chama Jennifer e está no 11º andar. No entanto, não temos ferramentas, não temos como ajudá-la — disse Antonio Bermúdez, de 45 anos, outro morador de La Guaira. — A poucos metros dali estão dois irmãos. Um deles responde e diz que está ferido no estômago. O pai e o irmão estão tentando remover as lajes, mas elas são muito grossas. A única coisa que temos é uma picareta e uma marreta (...) Já não podemos fazer mais nada. Desde os terremotos, milhares de voluntários atuam por conta própria nas operações de resgate, sem coordenação das autoridades. — A situação é extremamente crítica porque falta muito apoio, tanto em maquinário quanto em pessoal — disse Domingo Pacheco, socorrista voluntário de 52 anos. 'Precisamos de ajuda' Revoltados, familiares e sobreviventes do maior terremoto registrado na Venezuela desde 1900 ameaçam bloquear ruas para chamar a atenção das autoridades. Um deles, Marlon Ochoa, procura sozinho pela mãe, pela esposa e pelo filho. Eles ficaram soterrados quando o prédio onde moravam desabou em Playa Grande, um bairro de classe média em La Guaira. No local, enormes edifícios residenciais e um hotel cinco estrelas com vista para o mar ruíram de forma devastadora após os terremotos. Uma mulher chorava desesperadamente ao ver o prédio de dez andares onde morava sua irmã reduzido a um monte de paredes e concreto. Prédios colapsados em Catia La Mar, no estado de La Guardia: ainda há milhares de desaparecidos sob os escombros na Venezuela — Foto: AFP — Ainda não vejo as autoridades realmente assumindo a situação aqui nesta área... Precisamos de máquinas, geradores de energia, de tudo — reclamou Ochoa. — Estamos indignados, precisamos de ajuda, há pessoas vivas. Jean Alexander Capote, um dos milhares de desabrigados que perdeu a sogra na tragédia, implorou entre lágrimas por ajuda para encontrar sua enteada entre os mais de 50 mil desaparecidos deixados pelos fortes terremotos. — Não consigo encontrá-la... Queremos ajuda logo, o mais rápido possível. Que nos ajudem — exigiu, ao criticar a lentidão da resposta do governo. Bebê de 18 dias é resgatado com vida 32 horas após terremotos na Venezuela A presidente Delcy Rodríguez, no entanto, elogiou o trabalho diante dos danos provocados pelos terremotos e agradeceu a chegada de mais de 800 voluntários internacionais, que já começaram a atuar no país. Ela também determinou a militarização de La Guaira, mas a presença das forças militares ainda é pouco perceptível, um dos destinos preferidos dos moradores de Caracas. Familiares e vizinhos de pessoas presas em um edifício de 22 andares que desabou no bairro de Altamira, uma área de alto padrão de Caracas, vaiaram a presidente durante uma visita ao local da tragédia, na sexta-feira. — Fora! Fora! — gritavam. — Já chega de fazer campanha política em uma tragédia como a que estamos vivendo! (...) O governo não está fazendo nada pelo povo! Fila de voluntários Na noite de sexta-feira, o governo venezuelano restringiu o acesso a La Guaira, alegando que a chegada em massa de voluntários dificultava as operações. No sábado, o governo começou a emitir salvo-condutos para que buscam entrar na área para ajudar. A fila era enorme em frente à gigantesca sala de espetáculos usada como sede. — É preciso tirar uma autorização para salvar vidas, imagine só — reclamou o socorrista Carlos Itriago, de 27 anos. A lentidão do processo irritava as pessoas na fila, que gritavam pedindo para serem autorizadas a entrar. A polícia tentava controlar a desordem. Voluntários esperam em fila para tentar entrar em região atingida por terremoto em La Guaira — Foto: Juan Barreto — Todos queremos colaborar, todos queremos ir — afirmou Luis Toro, de 56 anos. — E nos fazem perder a manhã inteira — protestou Samuel Rodríguez, de 24 anos, que carregava uma pá e uma bandeira venezuelana amarrada ao pescoço. O presidente da Assembleia Nacional, Jorge Rodríguez, um dos porta-vozes oficiais durante a tragédia, insistiu que os voluntários deverão seguir para a região "de forma organizada". Ele informou que 2.242 socorristas voluntários já foram registrados e afirmou que cerca de 30 mil especialistas venezuelanos estão atuando no atendimento da emergência. Além disso, segundo Rodríguez, mais de 2.200 socorristas de 21 brigadas internacionais também participam das operações.
Venezuelanos criticam lentidão de operações de resgate do governo após terremotos: 'fora!'
População civil assumiu várias partes da linha de frente dos resgates e relatam que vidas estão sendo perdidas sem que ajuda oficial chegue a tempo















