La Guaira continua sendo o principal foco, enquanto operações de busca ininterruptas entram no quinto dia, mas outras áreas carecem de apoio Prédios abalados pelo terremoto no povoado de El Junquito, na divisa entre o Distrito Federal e o Estado de La Guaira — Foto: REUTERS/Fausto Torrealba A frustração está aumentando em toda a Venezuela devido à falta de ajuda e à ausência de uma resposta governamental coordenada nas áreas atingidas pelos dois terremotos mortais da última quarta-feira, relataram moradores de algumas das cidades mais afetadas nesta segunda-feira (29). Em El Junquito, uma pequena região montanhosa situada a cerca de 33 km a oeste de Caracas, onde muitos venezuelanos costumam passar os fins de semana, os moradores afirmam ter visto poucos representantes do poder público. Agricultores e outros residentes têm fornecido suprimentos básicos à comunidade. “Estamos esperando respostas, a remoção dos escombros, inspeções e ajuda para as pessoas que realmente foram afetadas”, disse Keily Ibarra, manicure de 33 anos que lidera as reclamações dos moradores junto às autoridades. Ela pediu que o governo faça “o que precisa ser feito”. O centro comercial de El Junquito foi amplamente destruído pelos terremotos, com vários prédios desabados visíveis durante uma visita da Reuters. Diversos moradores, sem ter para onde ir, montaram barracas em um campo aberto, apesar do risco representado por edifícios danificados e desmoronados nas proximidades. “Não sabemos onde vamos ficar nem por quanto tempo permaneceremos aqui”, afirmou Tony Abreu, proprietário de uma loja de doces local, que vive em uma barraca desde os terremotos porque sua casa e seu comércio não são seguros. Número de mortos aumenta Desabou um hotel próximo ao Aeroporto de Maiquetía, onde estavam hospedadas mais de 140 pessoas deportadas dos Estados Unidos — incluindo sete crianças — enquanto eram processadas pelas autoridades venezuelanas, segundo duas famílias de deportados. Acredita-se que a maioria tenha morrido. A Grande Missão Retorno à Pátria, programa governamental responsável pelo processamento dos deportados, havia divulgado vídeos na internet mostrando a chegada dessas pessoas, incluindo imagens das crianças recebendo brinquedos, na quarta-feira. Embora diversos grupos internacionais de ajuda e resgate tenham se mobilizado para atuar na Venezuela, a maior parte da assistência tem se concentrado em La Guaira, o estado mais atingido em um país que há anos enfrenta uma profunda crise política e econômica. A comunidade internacional se mobilizou para ajudar a Venezuela a enfrentar o desastre. As autoridades informaram que o país sul-americano rico em petróleo recebeu apoio de 30 nações, incluindo 1.000 toneladas métricas de suprimentos, mais de 3.600 profissionais de resgate e apoio, além de 118 cães especializados em busca e salvamento. O número de vítimas continuou aumentando. Jorge Rodríguez, irmão da presidente interina e presidente da Assembleia Nacional, informou nesta segunda-feira que o total confirmado de mortos chegou a 1.719, com 5.034 feridos e 15.866 pessoas desabrigadas. Apagões ocorridos nesta segunda-feira impediram a retomada das operações de uma refinaria, de um complexo petroquímico e de outras instalações industriais na região central do país, segundo fontes do setor. Apesar desses problemas, a estatal petrolífera PDVSA não espera escassez de combustíveis no mercado interno, já que a produção das refinarias localizadas nas regiões leste e oeste do país é suficiente para atender à demanda, mesmo após o aumento do consumo pelas equipes de resgate, afirmaram as fontes. A produção e as exportações de petróleo permanecem normais, acrescentaram as fontes. Busca por sobreviventes Moradores de Caracas tiveram suas casas sacudidas por uma réplica na madrugada desta segunda-feira, enquanto as equipes de resgate seguem trabalhando ininterruptamente pelo quinto dia consecutivo. A réplica, de magnitude 4,6, ocorreu ao norte de Caracas nas primeiras horas da manhã, a uma profundidade de 10 km, segundo o Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS). Rodríguez afirmou que não houve relatos imediatos de danos. Foi a mais recente entre centenas de réplicas registradas desde a última quarta-feira, que vêm abalando as equipes nacionais e internacionais envolvidas nas operações de resgate. Cada salvamento reacende a esperança, à medida que diminui a janela de tempo para encontrar sobreviventes. Entre os casos considerados milagrosos está o resgate de Aaron Levi, de 21 anos, retirado com vida de um prédio desabado no estado de La Guaira após permanecer 106 horas preso sob os escombros. Segundo a presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, a operação de resgate durou 43 horas. Após anunciar a atualização do número de mortos, o presidente da Assembleia, Rodríguez informou que 15 abrigos foram instalados em La Guaira, além de 50 acampamentos provisórios destinados a acolher os afetados pelos terremotos. Ele elogiou a calma e a força demonstradas pelos venezuelanos, atribuindo qualquer indignação contra o governo à desinformação. “Não deem atenção aos rumores, não se deixem conduzir por estratégias de manipulação nas redes sociais ou pela manipulação da mídia, cujo único objetivo é aumentar a inquietação e a ansiedade”, declarou Rodríguez. “As informações oficiais são as únicas que realmente possuem a verdade para compartilhar com vocês.” Um alto funcionário do governo dos EUA afirmou que há confirmação da morte de três cidadãos americanos e que outros 12 estão desaparecidos desde os terremotos. Além disso, uma força-tarefa do Departamento de Estado recebeu mais de 300 solicitações de cidadãos americanos em busca de orientação. Um segundo funcionário estimou que existam aproximadamente 5.000 cidadãos dos EUA vivendo na Venezuela.