La Guaira concentra a maior parte da destruição causada pelos tremores que deixaram ao menos 164 mortos e 971 feridos na Venezuela, enquanto moradores procuram desaparecidos entre os escombros 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Um homem inspeciona um prédio de apartamentos que desabou após um terremoto em Catia La Mar, no estado de La Guaira, a cerca de 30 km a noroeste de Caracas, em 25 de junho de 2026 — Foto: FEDERICO PARRA / AFP RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 25/06/2026 - 10:13 Venezuela Declara La Guaira "Zona de Desastre" Após Terremotos Mortais A Venezuela declarou o estado de La Guaira como "zona de desastre" após dois terremotos devastadores de magnitudes 7,2 e 7,5, que resultaram em pelo menos 164 mortos e 971 feridos. Catia la Mar foi uma das cidades mais atingidas, com edifícios destruídos e muitos desaparecidos sob os escombros. A presidente interina, Delcy Rodríguez, confirmou a gravidade da situação, enquanto moradores e socorristas buscam desesperadamente por sobreviventes. A região, já marcada por um desastre em 1999, enfrenta agora a devastação e a urgente necessidade de assistência técnica e humanitária. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO "Foi terrível. Tudo, tudo desabou", lamenta Yilsmaris Blanco enquanto observa, atônita, a destruição em Catia la Mar, uma das cidades mais afetadas pelos terremotos que arrasaram dezenas de edifícios no estado venezuelano de La Guaira. A região foi declarada como uma "zona de desastre" pela presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez. Imagens e vídeos que circulam nas redes sociais mostram prédios desabados e um cenário de devastação. — Damos graças a Deus porque (...) estamos vivos, mas há pessoas que estão agora sofrendo com seus familiares soterrados, com seus familiares presos sob os escombros, que não conseguem tirar — diz Blanco, de 39 anos, à AFP. 'Há gente viva e ninguém vem salvar', diz mãe de pessoa soterrada sob edifício de 12 andares que desabou após terremotos na Venezuela — Foto: AFP Dois tremores consecutivos, de magnitudes 7,2 e 7,5, sacudiram a Venezuela na noite de quarta-feira, provocaram a morte de ao menos 164 pessoas e deixaram outras 971 feridas, além de um número ainda desconhecido de pessoas desaparecidas sob os escombros em várias regiões do país. À beira do Caribe, La Guaira, a 40 minutos de Caracas e onde se encontra o aeroporto internacional de Maiquetía, foi a região mais afetada. — Não temos nada, agora não temos nada, nem sequer forças, nem coragem para entrar ali, imagina só — conta Larry Rojas, de 49 anos, um dos milhares de moradores afetados em uma área de Catia la Mar com quase 200 torres residenciais. Localizado na costa centro-norte da Venezuela, o estado de La Guaira tem grande importância econômica por abrigar um dos principais portos do país e o Aeroporto Internacional Simón Bolívar, em Maiquetía. Veja imagens do maior abalo registrado na Venezuela em mais de um século As imagens de destruição após os terremotos também remetem a outra tragédia que marcou a região. Em dezembro de 1999, chuvas torrenciais provocaram uma série de deslizamentos de terra que deixaram milhares de mortos. La Guaira nunca se recuperou completamente daquele desastre: ainda hoje, grandes rochas que destruíram edifícios permanecem espalhadas pela região. No estado, alguns prédios permanecem de pé como podem, com grandes rachaduras e paredes abertas visíveis do lado de fora, constatou uma equipe da AFP em um percurso pelo local. Pessoas permanecem em meio aos escombros, perto de um prédio danificado, após um terremoto em Catia La Mar, no estado de La Guaira — a cerca de 30 km a noroeste de Caracas — nas primeiras horas de 25 de junho de 2026 — Foto: FEDERICO PARRA / AFP Dezenas de outros, no entanto, ficaram totalmente destruídos e reduzidos a escombros. Não há eletricidade em boa parte da área, e dezenas de moradores passaram a noite na rua. Em meio à escuridão, temem novos tremores após as mais de 30 réplicas que já sentiram. — Lá embaixo há sobreviventes — alerta Lisbeth Vasquez, outra moradora que conseguiu sair com sua família de um dos prédios que desabaram. 'O que faz falta é ajuda' No meio da noite, dezenas de socorristas trabalhavam entre os escombros, enquanto as autoridades observavam de perto cidadãos que tentavam por conta própria encontrar seus parentes, gritando seus nomes. Forte terremoto atinge a Venezuela 1 de 12 Prédios destruídos, feridos e pânico: imagens mostram destruição causada por terremoto na Venezuela — Foto: Juan Barreto/AFP 2 de 12 O governo venezuelano declarou estado de emergência após dois fortes terremotos atingirem o país quase consecutivamente — Foto: Juan Barreto/AFP X de 12 Publicidade 12 fotos 3 de 12 Os tremores foram sentidos até na Colômbia e no Brasil — Foto: Federico Parra/AFP 4 de 12 As cenas em Caracas eram de destruição e pânico — Foto: Federico Parra/AFP X de 12 Publicidade 5 de 12 Pessoas do lado de fora gritavam os nomes de seus parentes, e alguns voluntários escalavam os escombros — Foto: Federico Parra/AFP 6 de 12 Diversas áreas ficaram sem energia elétrica. Muitas ruas estavam cobertas de cacos de vidro — Foto: Manaure Quintero/AFP X de 12 Publicidade 7 de 12 Pessoas que evacuaram prédios em Caracas esperaram mais de uma hora antes de retornar — Foto: Manaure Quintero/AFP 8 de 12 Prédios desabaram em diferentes partes de Caracas — Foto: Manaure Quintero/AFP X de 12 Publicidade 9 de 12 Dezenas de socorristas trabalhavam entre os escombros em busca de possíveis vítimas e sobreviventes — Foto: Federico Parra/AFP 10 de 12 A Venezuela é frequentemente atingida por terremotos — Foto: Federico Parra/AFP X de 12 Publicidade 11 de 12 Terremotos causaram destruição na Venezuela — Foto: AFP 12 de 12 Terremotos na Venezuela: país registra 10 réplicas após abalos que deixaram ao menos 32 mortos — Foto: AFP X de 12 Publicidade Prédios desabaram em diferentes partes de Caracas Jornalistas da AFP presenciaram familiares recuperando os corpos de um homem e de uma mulher e colocando-os na parte de trás de uma caminhonete. Também viram uma conhecida farmácia de Catia La Mar com as portas de vidro destruídas e as prateleiras vazias, sem que as autoridades pudessem confirmar se houve saques após a emergência. — O que está faltando é ajuda, principalmente com equipes técnicas. Equipes que estão em Caracas, que sabem quais equipamentos usar e que podem vir ajudar aqui em La Guaira, que venham — pediu ofegante José Pacheco, chefe de operações do Grupo de Resgate Unido da Venezuela. — Você pode ver como estão as estruturas, como esta aqui, totalmente colapsada, e o que está faltando é ajuda — acrescenta o socorrista de 52 anos, ao contar cerca de 14 estruturas afetadas ao seu redor. Pacheco, com três décadas de experiência, afirma que "nunca" viu "algo parecido". 'Foi de repente' Antonio Bermúdez, de 48 anos, morador de La Guaira, estava na sala de sua casa quando "de repente" o tremor começou. Terremotos de magnitude 7,2 e 7,5 atingem a Venezuela — Eu comecei a me mover, procurei refúgio debaixo de uma coluna. Estava entre meu quarto e o banheiro. Tremia mais forte, tremia mais forte — lembra. — Eu me segurei na parede e o prédio começou a desabar — explica, enquanto tenta acomodar uma das pernas, que ficou ferida depois que uma 'placa' caiu sobre ela enquanto tentava sair dos escombros. Diante da falta de luz, alguns moradores correm pelas ruas com lanternas, enquanto os veículos de emergência iluminam brevemente as ruas com suas sirenes e os sobreviventes procuram refúgio. — Também não temos água, estamos morrendo de sede, entramos na estrutura e temos medo de que ela também desabe — acrescenta Rojas. — Que realmente alguém nos ajude, que enviem máquinas. É isso que precisamos para entrar nos prédios que desabaram — pede. (Com AFP)