Maria Gregória Ventura, a dona Tita, foi uma importante liderança do Quilombo Morro Santo Antônio, em Itabira (MG). Seu ativismo comunitário a transformou em uma personalidade respeitada tanto por autoridades públicas quanto pela população local, dentro e fora de sua cidade de origem.

Ao completar um século de vida, em 2024, por iniciativa do seu neto estimação, Vinicius Aparecido de Souza, um decreto da prefeitura instituiu o Ano Municipal Dona Tita. A homenagem, que contou com o apoio de toda a cidade, estendeu-se ao principal festival literário da região —o FliItabira— e culminou na exibição do documentário "Tita, 100 Anos de Luta e Fé", do cineasta Danilo Candombe, que valoriza o legado e história de vida da matriarca quilombola.

Nascida no quilombo, dona Tita era filha de Ernestina de Maia, que, embora muito jovem, ficou conhecida como alguém que influenciava os destinos da comunidade. Não conheceu o pai, cujo nome não consta em sua certidão de nascimento. Ao ficar órfã de mãe ainda criança, enfrentou a difícil relação com a nova companheira do padrasto e o trabalho pesado na roça, fato que a levou a ser acolhida por tios antes de migrar para Belo Horizonte, onde trabalhou por anos como doméstica até retornar às suas raízes.