Taty Almeida, presidente das Mães da Praça de Maio – Linha Fundadora e símbolo da luta pelos direitos humanos na Argentina, morreu no domingo (14), aos 95 anos, após mais de quatro décadas como uma das vozes mais reconhecidas na luta contra os crimes cometidos na ditadura do país.
A morte foi confirmada pela organização. Com seu lenço branco sempre atado ao pescoço, Almeida foi uma protagonista incansável nas mobilizações que reivindicavam memória, verdade e justiça pelos crimes do regime ditatorial, mas também sempre apoiou, com sua presença e sua voz inconfundível, as lutas sindicais e estudantis.
"Obrigada por nos ensinar que amar é resistir, que a única luta que se perde é a que se abandona e que não existe força maior do que a do amor", afirmou a organização, presidida por ela, em nota.
A vida de Almeida deu uma guinada após o desaparecimento de seu filho Alejandro, de 20 anos, em 1975. Como ele, outros 30 mil opositores desapareceram nas mãos da temida Triple A, esquadrão da morte anticomunista criado ainda nos tempos de democracia, e da ditadura que governou a Argentina entre 1976 e 1983.
Sua filha, Fabiana Almeida, disse a jornalistas que ela e o irmão Jorge perceberam que a mãe "não estava bem" na manhã de domingo (14). "Dissemos para ela: 'Velha, vai, solta. Vai que o Alejandro está te esperando lá em cima. Se abracem, nos acompanhem lá de cima'", contou, emocionada.










