Taty Almeida, presidente das Mães da Praça de Maio – Linha Fundadora e uma das principais referências da luta pelos direitos humanos na Argentina, morreu neste domingo, aos 95 anos. Ao longo de mais de quatro décadas, ela se tornou uma das vozes mais reconhecidas na busca por verdade e justiça para as vítimas da última ditadura militar do país. "Com uma dor muito profunda, temos que compartilhar a notícia mais triste: hoje partiu nossa querida Taty Almeida, presidente das Mães da Praça de Maio – Linha Fundadora", afirmou a organização em comunicado. Conhecida pelo lenço branco que usava em atos públicos, Taty participou de mobilizações em defesa da memória dos desaparecidos políticos e também esteve presente em manifestações sindicais, estudantis e em outras causas ligadas aos direitos humanos. "Obrigado por nos ensinar que amar é resistir, que a única luta que se perde é a que se abandona e que não existe força maior do que a do amor", declarou a entidade. A dor que se transformou em militância Nascida como Lidia Stella Mercedes Miy Uranga, em 28 de junho de 1930, Taty Almeida era professora, casou-se com Jorge Almeida e teve três filhos. Sua vida mudou radicalmente após o desaparecimento do filho Alejandro Almeida, de 20 anos, em 1975. Integrante do grupo guerrilheiro Exército Revolucionário do Povo (ERP), ele foi sequestrado pela organização paramilitar de direita Triple A, antes mesmo do golpe militar de 1976. Taty Almeida, ícone das Mães da Praça de Maio, morreu na Argentina neste domingo — Foto: Eitan Abramovich/AFP Alejandro, que cursava o primeiro ano de Medicina, nunca mais foi encontrado. Como ele, cerca de 30 mil pessoas desapareceram na Argentina durante o período de violência política associado à Triple A e à ditadura militar que governou o país entre 1976 e 1983. Filha e irmã de militares, Taty demorou até 1979 para se aproximar das Mães da Praça de Maio. — Eu não tinha coragem de ir, com o meu currículo poderia ter sido considerada uma espiã. Quando já estava dentro da organização, revelei para elas — contou em entrevista à AFP. Em 2017, ao relembrar sua trajetória, afirmou: — Essa raiva, nós a transformamos em amor, em luta pacífica. Taty Almeida, ícone das Mães da Praça de Maio, morreu na Argentina neste domingo — Foto: Luis Robayo/AFP Referência dos direitos humanos na Argentina Com o passar dos anos, Taty Almeida tornou-se uma das figuras mais respeitadas da defesa dos direitos humanos no país. Sua atuação esteve sempre ligada à reivindicação por memória, verdade e justiça para os desaparecidos da ditadura. Taty Almeida, ícone das Mães da Praça de Maio, morreu na Argentina neste domingo — Foto: Eitan Abramovich/AFP Nos últimos anos, ela adotou uma postura crítica em relação ao governo do presidente Javier Milei, especialmente diante dos debates sobre políticas públicas relacionadas ao legado do regime militar. Taty também esteve entre as vozes centrais dos atos que marcaram os 50 anos do golpe de Estado de 1976, realizados em março de 2026. A ativista estava internada havia três semanas em um hospital de Buenos Aires. Segundo sua filha, Fabiana Almeida, os familiares perceberam que seu estado de saúde havia piorado na manhã de domingo. — Dissemos para ela: "Velha, vai, solta. Vai que o Alejandro está te esperando lá em cima. Se abracem, nos acompanhem lá de cima" — contou, emocionada. A morte de Taty Almeida encerra uma das trajetórias mais emblemáticas da história recente da Argentina. Para gerações de ativistas, ela permanecerá como símbolo da resistência pacífica e da busca incansável por respostas sobre os crimes cometidos durante a ditadura militar.
Taty Almeida: quem foi a líder das Mães da Praça de Maio e símbolo da luta pelos desaparecidos da ditadura argentina que morreu aos 95 anos
Ativista transformou a busca pelo filho desaparecido em uma trajetória de mais de quatro décadas em defesa da memória, da verdade e da justiça











