Vida da militante teve guinada após filho Alejandro, de 20 anos, desaparecer, em 1975; como ele, cerca de 30 mil outros dissidentes desapareceram pelas mãos das milícias 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Taty Almeida, ícone das Mães da Praça de Maio, morreu na Argentina neste domingo — Foto: Luis Robayo/AFP RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 14/06/2026 - 23:46 Morre Taty Almeida, ícone das Mães da Praça de Maio, aos 95 anos Taty Almeida, ícone das Mães da Praça de Maio, faleceu aos 95 anos, após décadas de luta pelos direitos humanos na Argentina. A perda de seu filho Alejandro, desaparecido em 1975, impulsionou sua militância. Almeida, com seu lenço branco, simbolizou a resistência contra a ditadura e apoiou movimentos sociais. Sua morte foi lamentada por figuras políticas e culturais, destacando seu legado de amor e luta. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO Taty Almeida, presidente das Mães da Praça de Maio-Linha Fundadora e um ícone da luta pelos direitos humanos na Argentina, faleceu neste domingo, aos 95 anos, após mais de quatro décadas como uma das vozes mais reconhecidas contra os crimes da última ditadura. "Com profunda tristeza, compartilhamos a triste notícia: hoje, nossa querida Taty Almeida, presidente da Mães da Praça de Maio-Linha Fundadora, faleceu", afirmou um comunicado da organização de direitos humanos. Com seu lenço branco sempre amarrado ao pescoço, Almeida foi uma figura incansável nas mobilizações que exigiam memória, verdade e justiça pelos crimes da ditadura, mas também acompanhou sempre os movimentos operário e estudantil com sua presença e sua voz inconfundível. "Obrigada por nos ensinar que amar é resistir, que a única luta perdida é a abandonada e que não há força maior que o amor", declarou a organização que ela liderava. A vida de Almeida deu uma guinada dramática após o desaparecimento de seu filho de 20 anos, Alejandro, em 1975. Assim como ele, cerca de 30 mil outros dissidentes desapareceram pelas mãos das milícias de direita da chamada Triplo A, ou ditadura que governou a Argentina entre 1976 e 1983. Sua filha, Fabiana Almeida, contou a repórteres que ela e seu irmão, Jorge, perceberam que ela "não estava bem" na manhã deste domingo: "Dissemos a ela: 'Mãe, vamos lá, se entregue. Vamos, Alejandro está esperando por você lá em cima. Se abracem, nos olhem lá de cima'", relatou, com a voz embargada pela emoção. Taty Almeida, ícone das Mães da Praça de Maio, morreu na Argentina neste domingo — Foto: Eitan Abramovich/AFP Almeida estava hospitalizada em Buenos Aires havia três semanas. Seus restos mortais serão velados nesta segunda-feira na sede de um sindicato na cidade, informou sua família. Sua morte foi lamentada por diversas figuras dos direitos humanos, da política e da cultura na Argentina. "Ela era uma lutadora", disse uma emocionada Estela de Carlotto, ícone das Avós da Praça de Maio, ao canal C5N após a notícia. "Continuamos a luta, uma luta com mais dor, mas não podemos desistir", acrescentou. "Uma lutadora incansável que honrou a vida. Adeus, querida Taty", escreveu a ex-presidente argentina de centro-esquerda Cristina Kirchner (2007-2015) no X. Lutadora Incansável Taty Almeida nasceu Lidia Stella Mercedes Miy Uranga em 28 de junho de 1930. Ela era professora e teve três filhos com seu colega Jorge Almeida. Seu filho, Alejandro, era membro do grupo guerrilheiro Exército Revolucionário Popular (ERP) quando foi sequestrado em 1975 pela organização paramilitar de direita Triple A. Taty Almeida, ícone das Mães da Praça de Maio, morreu na Argentina neste domingo — Foto: Eitan Abramovich/AFP Alejandro, estudante do primeiro ano de medicina, está desaparecido desde então, e Taty nunca recuperou seus restos mortais. "Transformamos essa raiva em amor, em luta pacífica", disse Almeida à AFP em 2017. Filha e irmã de militares, Taty Almeida só se juntou às Mães da Praça de Maio em 1979. "Eu não ousava ir; com a minha origem, eu poderia ser considerada uma espiã. Uma vez dentro da organização, revelei tudo a eles", disse Almeida. Nos últimos anos, ela manteve uma postura abertamente confrontativa com o governo de Javier Milei em relação às suas políticas sobre memória, verdade e justiça, e foi uma voz central nos eventos que comemoraram o 50º aniversário do golpe militar em março de 2026. "Só restam três mães e duas avós", disse Almeida em abril, ao receber um prêmio na Universidade de Buenos Aires, acrescentando: "Já passamos o bastão. Aos poucos, porque, apesar das bengalas e cadeiras de rodas, nós, as 'loucas', ainda estamos de pé."
Morre Taty Almeida, ícone das Mães da Praça de Maio na Argentina
Vida da militante teve guinada após filho Alejandro, de 20 anos, desaparecer, em 1975; como ele, cerca de 30 mil outros dissidentes desapareceram pelas mãos das milícias










