O que é uma caneta? E um chapéu? Se você disse que o primeiro é aquele objeto que usamos na hora de escrever e que o segundo é um acessório que colocamos na cabeça, talvez o clima de Copa do Mundo ainda não tenha batido tão forte por aí —o campeonato está a todo o vapor e tem a final marcada para o dia 19 de julho.

É que, ao contrário do que muita gente pensa, as palavras não são duras nem estáticas. Elas se movem, são molengas, leves, serelepes. Estão sempre buscando vestir novos significados. Aliás, a poesia nasce justamente assim, dessa brincadeira com a linguagem.

Quando o papo é futebol, muitas expressões mudam de significado. Caneta e chapéu, por exemplo, se tornam nomes de dribles. Mas a lista é bem maior. Assim que o juiz apita, zebra e peixinho não são mais bichos, carrinho e bicicleta deixam de ser brinquedos e o elástico é uma coisa que não prende nenhum cabelo (leia mais abaixo).

Isso porque o futebol não é feito só de gols e faltas. Ele também é formado por palavras. Quem faz essa descoberta é a Gigi, personagem do livro "Ontem Vi meu Pai Chorar", que acaba de ser lançado. Como o título já entrega, a história começa quando a menina vê o pai se afogando em lágrimas após assistir a uma partida do time do coração.