É um clichê nos lares brasileiros a figura do pai torcedor, cujo maior desejo é colocar a camisa de seu time de futebol no filho.

Às vésperas da Copa do Mundo, uma grande seleção de livros sobre futebol chega ao mercado brasileiro, e três deles coincidem ao tratar desse chavão clássico: "As Regras", de Lilian Sais, "Onar ‘82", de José Roberto de Castro Neves, e "Ontem Vi Meu Pai Chorar", de Luiza Romão.

O primeiro, algo entre autobiografia e autoficção, fala do luto em uma família que assistiu reunida a diversas Copas. O segundo é uma fantasia dentro de um romance, e o epicentro da história são os heróis injustiçados da Copa de 1982, como Zico, Sócrates e Telê Santana. Já o terceiro, obra infantojuvenil ilustrada por Silvia Nastari, parte do primeiro choro de um pai diante da filha, provocado por uma derrota de seu time.

"O futebol é um desses bens culturais brasileiros que são passados de geração para geração. Em uma sociedade patrilinear, essa ideia de linhagem é muito voltada aos homens", explica Romão, que está desenvolvendo um doutorado sobre futebol. Mas cada um dos livros subverte as expectativas dos pais torcedores à sua maneira.

Neves imagina um filho gay que admira o esporte, mas não se emociona como o pai, comentarista futebolístico profissional. Já Romão e Sais escrevem sobre filhas. A narradora de "Ontem Vi Meu Pai Chorar" joga futebol em um tempo em que mulheres eram proibidas de fazer isso. E a protagonista de "As Regras" desafia o pai ao escolher torcer para o time da mãe, um gesto inspirado na própria autora.