Há temas que o campo progressista evita enfrentar. A responsabilização de adolescentes envolvidos em crimes violentos é um deles.
Sempre fui contrária à redução da maioridade penal. Continuo sendo. Não apenas porque adolescentes são pessoas em desenvolvimento, mas porque enviar jovens de 16 e 17 anos para o sistema prisional adulto significaria submetê-los a instituições que, em grande medida, produzem mais violência do que conseguem prevenir. Em um sistema prisional marcado pela atuação de facções criminosas, essa medida traria uma piora considerável para a segurança pública.Mas defender o ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente) não pode significar ignorar as mudanças ocorridas no Brasil desde sua promulgação, há mais de três décadas.
O sistema socioeducativo foi concebido em um contexto anterior à expansão nacional das facções criminosas, ao fortalecimento do controle territorial exercido por grupos armados e ao recrutamento sistemático de adolescentes por organizações criminosas. Hoje, uma parcela dos jovens que ingressa no sistema não está envolvida apenas em trajetórias marcadas por vulnerabilidade social. Alguns participam de estruturas criminosas mais complexas, responsáveis por crimes de extrema gravidade.










