Os mercados financeiros têm um hábito curioso. Quando alguém enriquece muito, rapidamente concluímos que estamos diante de um gênio. Poucas vezes paramos para perguntar se aquela riqueza nasceu de uma habilidade extraordinária ou de uma oportunidade rara que dificilmente poderá ser repetida.
Imagine um comerciante que consiga comprar uma mercadoria por R$ 100 e, sem modificá-la, encontre compradores dispostos a pagar R$ 150. Quanto mais vender, mais dinheiro acumulará para comprar novas mercadorias e repetir o processo.
O crescimento parecerá extraordinário, mas sua verdadeira vantagem não está na mercadoria. Está na diferença entre o preço que paga e o preço que consegue cobrar.
Foi uma lógica semelhante que transformou Michael Saylor, reconhecido no mundo por sua empresa e estratégia. Sua empresa, a Strategy, acumulou cerca de 847 mil bitcoins, adquiridos por aproximadamente US$ 64 bilhões. À primeira vista, parece uma história de ousadia e visão sobre o futuro do Bitcoin. Mas a estrutura financeira por trás desse crescimento merece tanta atenção quanto o próprio ativo.
O principal combustível da expansão não foi o negócio antigo de software da empresa. Também não foi a dívida, que representa uma parcela relativamente pequena de sua estrutura de capital. Dos cerca de US$ 64 bilhões investidos em bitcoin, apenas aproximadamente US$ 6,7 bilhões vieram de dívida conversível.









