Sai Keir Starmer, entra Andy Burnham, um moderado que invoca a "esperança" e, às vezes, utiliza a linguagem dos populistas ("encerrar 40 anos de neoliberalismo"). O Reino Unido terá seu sétimo primeiro-ministro em uma década. Diagnóstico fácil: a crise deve-se ao brexit.
Há dez anos, em 23 de junho de 2016, por pequena margem, os eleitores determinaram a saída britânica da União Europeia (UE). Dito e feito: como tantos previram, o Reino Unido escolheu comprimir seu crescimento econômico. Segundo cálculos independentes, nesse intervalo o PIB britânico cresceu algo entre 4% e 8% menos do que poderia e os investimentos produtivos expandiram-se 10% menos.
Os propagandistas do brexit apostaram na nostalgia. Numa linha paralela à do discurso de Trump ("fazer os EUA grandes novamente"), prometeram "recuperar o controle" dos destinos nacionais. A meta era resgatar uma soberania supostamente sequestrada pela UE, a fim de restaurar uma era de ouro: "podemos ver, à frente, os prados ensolarados", na miragem idílica conjurada por Boris Johnson.
Soberania, bela palavra, é também uma fonte de equívocos. "O homem no deserto é soberano, mas nada pode fazer pois carece de poder", como explicou Michael Heseltine, da derrotada corrente pró-Europa do Partido Conservador. Hoje, tarde demais, 57% dos eleitores enxergam o brexit como um desastre. O Bregret ("Britain regret", arrependimento britânico) tomou o lugar do brexit.












