Quando venceu de forma incontestável a disputa pelo governo britânico há dois anos, o Partido Trabalhista o fez com uma aposta clara em mudança: saía a retórica à esquerda e entrava em campo moderação ante as ruínas deixadas pelos usuais rivais conservadores.
Encarnada no cinzento Keir Starmer, a tentativa de atender demandas que emergiram com o brexit em 2016 e evoluíram de forma nefasta para o Reino Unido fracassou. Simbolicamente, isso ocorre justamente no momento em que são lembrados os dez anos da proclamação da saída de Londres da União Europeia.
Por evidente, a perda de apoio de Starmer dentro das hostes de sua sigla decorreu de uma combinação de fatores.
Como sempre, a economia vinha à frente. O Reino Unido só cresceu 1,4% em 2025, viu os índices piorarem no fim do ano e as projeções para 2026 serem cortadas. Pesquisas indicam pessimismo generalizado na população.
No mais, sobrevieram erros políticos do primeiro-ministro, o mais gritante a indicação de Peter Mandelson, envolvido até o pescoço no caso Jeffrey Epstein, para embaixador nos Estados Unidos. Isso minou sua autoridade interna, enquanto era fustigado externamente por Donald Trump.












