PUBLICIDADE Aposta política de David Cameron abriu caminho para trocas recorrentes no governo e quebra na confiança do público nos responsáveis pelo comando em Londres 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Premier demissionário do Reino Unido, Keir Starmer, em discurso diante da residência de Downing Street — Foto: Henry NICHOLLS / AFP RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 22/06/2026 - 19:28 Renúncia de Keir Starmer: Reino Unido encara nova crise pós-Brexit A renúncia de Keir Starmer como premier britânico marca uma década de turbulências no Reino Unido desde o Brexit. A decisão de David Cameron de realizar o referendo em 2016 desencadeou uma série de crises políticas e econômicas, incluindo a queda do PIB e a instabilidade em Westminster. Após sucessivas lideranças, Starmer, criticado por posições internas e externas, deixa um cenário de insatisfação crescente, com o Reform UK em ascensão. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO Em uma peculiaridade digna de ficções políticas, o anúncio da renúncia do impopular premier britânico, Keir Starmer, ocorreu na véspera do aniversário de 10 anos da votação que retirou o Reino Unido da União Europeia (UE), o “Brexit”. Um referendo que tinha como promessa entregar o país de volta aos britânicos, mas que foi a porta de entrada para uma década na qual as crises e na qual as trocas de moradores na residência oficial de Downing Street se tornaram rotina. — Podemos ver os prados ensolarados — disse, em maio de 2016, Boris Johnson, o excêntrico prefeito de Londres que se tornou a principal voz pró-Brexit e que seria, anos depois, um igualmente peculiar primeiro-ministro. — Creio que seríamos loucos se não aproveitássemos esta oportunidade única de atravessar aquela porta, porque a verdade é que não fomos nós que mudamos. Em Londres, o antagonismo à União Europeia não novo — a premier Margaret Thatcher alertava para o surgimento de um “Superestado Europeu —, mas atingiu um momento crítico no início da década passada. David Cameron, o jovem premier conservador à época, tentava apagar incêndios e temia o surgimento de novas forças anti-Bruxelas, como o Ukip, embrião do atual Reform UK, de Nigel Farage. Para preservar seu emprego, Cameron prometeu, em 2013, um referendo sobre a permanência na União Europeia caso os governistas vencessem as eleições gerais, dois anos depois. Nas urnas, o Partido Conservador obteve a maioria no Parlamento, pela primeira vez desde 1992, dando ao premier uma dose exagerada de confiança. Premier britânico, David Cameron, ao lado de sua mulher, Samantha Cameron, após votarem no referendo sobre a saída da União Europeia — Foto: LEON NEAL/AFP O anúncio da votação foi feito em fevereiro de 2016, após conversas sobre novos termos para a relação entre Londres e Bruxelas, com benesses aos britânicos, que entrariam em vigor caso a permanência na UE fosse aprovada. Para Cameron, o plano parecia ideal para acalmar seu partido, conter o crescimento do Ukip e sair fortalecido perante os demais líderes europeus. — Há pessoas que nunca me perdoarão por ter realizado um referendo — admitiu Cameron em 2019, em entrevista ao New York Times. Nigel Farage, líder do partido Reform UK, ´durante reunião da CPAC nos EUA — Foto: Andrew Harrer/Bloomberg — O Brexit é um entrave constante para a economia — disse à rede CNN Michael Saunders, consultor sênior da consultoria Oxford Economics. — Este é o alvorecer de uma nova era em que não aceitamos mais que as suas oportunidades de vida, as oportunidades de vida da sua família, devam depender da região do país onde você cresceu — disse, em discurso logo após a oficialização da saída da UE, em janeiro de 2020. Premier do Reino Unido, Boris Johnson, faz discurso em convenção do Partido Conservador — Foto: Oli SCARFF / AFP Queda da premier britânica era motivo de piada entre tabloides britânicos, que chegaram a questionar se o seu mandato duraria mais que uma alface — Foto: DANIEL LEAL/AFP — Vamos fortalecer as nossas relações existentes e construir novas — disse Starmer, em julho de 2024. — Isto inclui redefinir a nossa relação com a UE, porque acredito que o Reino Unido e a UE, trabalhando em conjunto como parceiros soberanos, constituem uma poderosa força para o bem em todo o nosso continente. Nesta segunda-feira, Starmer anunciou que renunciará, após semanas de fritura pública por seus colegas de partido — ligada, dentre outros temas, à sua posição sobre Gaza, cortes de benefícios e à perda de confiança interna— e diante de sinais semelhantes aos que antecederam o Brexit. Nas eleições locais, em maio, o Reform UK foi o mais votado, e os trabalhistas perderam quase 1,5 mil cadeiras em conselhos regionais. As próximas eleições gerais estão previstas para 2029, mas uma pesquisa divulgada na semana passada mostrou o Reform UK como o mais popular e os Verdes, antagônicos a Starmer, em quarto lugar, bem perto de trabalhistas e conservadores, em mais um sinal de insatisfação do público com os rumos e perspectivas do país. Tal como em 2016.