A queda iminente de Starmer e o colapso do tradicional sistema político britânicoNo Fronteiras, Rodrigo da Silva fala sobre a crise do premiê do Reino Unido. Crédito: Rodrigo da Silva/EstadãoGerando resumoO primeiro-ministro do Reino Unido, Keir Starmer, anunciou nesta segunda-feira, 22, que renunciará ao cargo após menos de dois anos à frente do governo britânico. A decisão ocorre depois de semanas de pressão dentro do Partido Trabalhista e em meio a uma forte queda de popularidade.PUBLICIDADEEm pronunciamento em frente à residência oficial de Downing Street, em Londres, Starmer anunciou que também deixará a liderança do Partido Trabalhista.“Todas as decisões que tomei foram para colocar o país que amo em primeiro lugar. É por isso que vou renunciar como líder do Partido Trabalhista”, disse o premiê, com a voz embargada.Enquanto Starmer iniciava o discurso, manifestantes reunidos nas proximidades tocaram a “Ode à Alegria”, de Beethoven, hino oficial da União Europeia.PublicidadeO primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, anuncia sua renúncia à imprensa em frente ao número 10 da Downing Street, em Londres Foto: Kin Cheung/APApesar do anúncio, ele permanecerá como primeiro-ministro até a conclusão da disputa interna que definirá seu sucessor. Segundo Starmer, o processo de escolha do novo líder trabalhista começará em julho, com a posse prevista para setembro.A renúncia ocorre após semanas de crescente pressão dentro do Partido Trabalhista, intensificada pela vitória de Andy Burnham, apontado como o principal favorito para suceder Starmer, em uma eleição parlamentar extraordinária na semana passada. O resultado foi interpretado por setores da legenda como um sinal de que o partido precisava mudar de rumo diante da queda de popularidade do governo.Segundo a imprensa britânica, mais de 100 deputados trabalhistas defenderam a saída de Starmer. Integrantes influentes do gabinete, entre eles a chanceler Yvette Cooper e o ministro da Energia, Ed Miliband, também teriam pedido que ele deixasse o cargo.PublicidadePrefeito da Grande Manchester desde 2017, Burnham já indicou que disputará a liderança do Partido. Em seu discurso após a vitória eleitoral, afirmou que a legenda estava diante de sua “última chance de mudar”. Caso seja escolhido pelos filiados, assumirá automaticamente o cargo de primeiro-ministro, já que os trabalhistas mantêm ampla maioria na Câmara dos Comuns.A crise marca mais um capítulo de um período turbulento para o governo. Desde que chegou ao poder, Starmer enfrentou críticas por mudanças de posição em temas centrais, disputas internas e sucessivas renúncias ministeriais. Nas últimas semanas, pesquisas de opinião apontavam níveis elevados de rejeição ao premiê.A saída de Starmer também reacendeu o debate sobre a estabilidade do governo. Nigel Farage, líder do Reform UK, partido anti-imigração e de direita que lidera algumas pesquisas de intenção de voto, defendeu a convocação de eleições antecipadas.PublicidadeLeia tambémTrump diz que Starmer renunciará ao cargo de primeiro-ministro do Reino Unido e deseja ‘tudo de bom’Rival de Starmer vence eleição no Reino Unido e complica ainda mais futuro de primeiro-ministroA crise política já havia ganhado repercussão internacional ainda antes do anúncio oficial. No domingo, 21, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou em uma publicação na rede Truth Social que Starmer deixaria o cargo de primeiro-ministro. Sem citar fontes, Trump antecipou que o líder britânico renunciaria ao cargo e lhe desejou “tudo de bom”. Já após o anúncio, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, prestou homenagem ao premiê britânico em uma publicação nas redes sociais.“Muitos líderes levam anos para se tornarem o estadista que você se tornou em apenas dois anos”, escreveu. “A segurança da Europa e da Ucrânia está mais forte graças a você. Obrigada, querido Keir”. /AFP e APPublicidade