Justamente porque aparenta ser um evento corriqueiro, a queda do primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, é motivo de preocupação para o Ocidente. Desde o século 17, com sucessivas inovações, o Reino Unido tornou-se modelo para as democracias liberais.
Ao renunciar nesta segunda (22), Starmer encerra um período que prometia ajustes no manejo do maior desastre geopolítico para Londres desde a dissolução de seu império após a Segunda Guerra Mundial: o brexit.
A retirada gradual e onerosa do país da União Europeia por motivos errados —no caso, o fato de o Partido Conservador ter levado o tema a plebiscito para tentar conter rivais separatistas— completa dez anos neste 2026.
Desde lá, houve seis premiês, cinco deles conservadores. Ao vencer de modo acachapante o pleito de 2024, os trabalhistas selaram a volta à moderação, que parecia adequada para lidar com os efeitos deletérios do brexit sobre emprego, investimentos e PIB. Estudos estimam que a renda per capita deixou de avançar £ 2.000 (R$ 13,6 mil) até 2024.
Starmer não reverteu o processo. A economia manteve-se frágil e, desde o fim de 2025, o crescimento está em baixa.











