O primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, afirmou nesta segunda-feira (22) que deixará o cargo, abrindo caminho para que o país tenha o sétimo líder em dez anos. O período de turbulência remonta ao referendo do Brexit, que completa dez anos justamente nesta terça-feira. Desde a votação, o Reino Unido tem tentado traçar seu próprio caminho, mas enfrentou dificuldades para impulsionar uma economia de baixo crescimento, limitada por elevados níveis de endividamento e pelo aumento dos gastos sociais, em um momento de crescente volatilidade geopolítica. Veja, a seguir, uma retrospectiva dos nomes que passaram por Downing Street na última década. Junho de 2016: Reino Unido vota pelo Brexit e Cameron renuncia Os britânicos provocam um choque global ao votar, por 52% a 48%, pela saída da União Europeia, encerrando uma união de mais de 40 anos e mergulhando o país em sua maior crise política desde a Segunda Guerra Mundial. O primeiro-ministro conservador David Cameron renuncia e o partido escolhe Theresa May para sucedê-lo. Junho de 2017: aposta em eleição antecipada dá errado Em alta nas pesquisas e buscando ampliar sua maioria parlamentar para aprovar a legislação do Brexit, May convoca eleições antecipadas. Os conservadores perdem a maioria e formam um governo após um acordo com o Partido Unionista Democrático (DUP), pró-Reino Unido, da Irlanda do Norte. Maio de 2019: impasse do Brexit, May renuncia e Johnson assume May deixa o cargo após fracassar em romper o impasse parlamentar sobre a saída britânica da União Europeia. Boris Johnson, um dos principais rostos da campanha pró-Brexit, vence a disputa interna do Partido Conservador. O ex-primeiro ministro britânico, Boris Johnson, dirige seus seguidores antes de subir a um ônibus de campanha eleitoral em Manchester, Inglaterra, no dia 15 de novembro de 2019 — Foto: AP/Frank Augstein, Pool, Arquivo Dezembro de 2019: Johnson conduz conservadores à vitória histórica Com o Parlamento paralisado pelo Brexit, Johnson convoca eleições antecipadas. Sob o slogan “Concluir o Brexit”, leva os conservadores à maior vitória eleitoral desde a ampla vitória de Margaret Thatcher, em 1987. Janeiro de 2020: o Brexit é concluído Johnson usa seu mandato para aprovar um acordo do Brexit junto ao Parlamento britânico e a Bruxelas, e o Reino Unido deixa a União Europeia em 31 de janeiro de 2020, tornando-se o primeiro país a abandonar o bloco. Julho de 2022: Johnson é derrubado Johnson lidera o país durante a pandemia de Covid-19 — chegando a ser hospitalizado pela doença —, mas uma longa série de escândalos e erros políticos acaba provocando sua queda após uma rebelião ministerial. Setembro de 2022: o governo caótico de Truss Liz Truss derrota Rishi Sunak na disputa para suceder Johnson. Seu “mini-orçamento”, que incluía cortes de impostos sem fontes de financiamento, assusta os mercados financeiros, eleva os custos de empréstimos e prejudica ainda mais a reputação britânica de estabilidade política e fiscal. Ela permanece apenas 44 dias no cargo antes de anunciar sua renúncia. Outubro de 2022: Sunak se torna primeiro-ministro Sunak assume como o terceiro primeiro-ministro britânico em apenas três meses, prometendo restaurar a estabilidade do governo. Ele apresenta cinco promessas principais, focadas na economia, no combate à imigração ilegal e na melhoria do sistema de saúde. Em fevereiro de 2023, fecha um acordo com a União Europeia sobre as regras comerciais da Irlanda do Norte, melhorando as relações com o bloco. Maio de 2024: Sunak convoca eleições Cerca de 20 pontos atrás do Partido Trabalhista nas pesquisas, Sunak convoca eleições para 4 de julho. Julho de 2024: Starmer se torna primeiro-ministro “Nós dissemos que acabaríamos com o caos, e vamos acabar”, afirmou Keir Starmer, líder do Partido Trabalhista, a apoiadores em 5 de julho de 2024, após conquistar uma vitória esmagadora nas urnas, mas com a menor fatia do voto popular já obtida por um governo majoritário na história moderna. Agosto de 2024: Starmer alerta que ‘as coisas vão piorar’ Starmer alerta para a situação das contas públicas, afirmando que o Partido Trabalhista herdou “um buraco negro econômico” e dizendo aos eleitores que “as coisas vão piorar antes de melhorar”. Outubro de 2024: primeiro orçamento do partido trabalhista A ministra das Finanças, Rachel Reeves, anuncia aumentos de impostos equivalentes a 40 bilhões de libras (US$ 52,76 bilhões) por ano, principalmente por meio da elevação das contribuições previdenciárias pagas pelos empregadores, levando a carga tributária ao maior nível já registrado em tempos de paz e provocando protestos do setor empresarial. Fevereiro de 2025: Reform UK, de Nigel Farage, ganha força O partido de direita e anti-imigração Reform UK ultrapassa o Partido Trabalhista em uma pesquisa nacional pela primeira vez. A legenda, liderada pelo defensor do Brexit Nigel Farage, lidera as pesquisas desde então. Nigel Farage comemora e posa para fotógrafos ao sair de uma festa da organização 'Leave.EU' para o referendo sobre a permanência do Reino Unido na União Europeia, em Londres, 24 de junho de 2016 — Foto: AP/Matt Dunham, Arquivo Junho de 2025: rebelião obriga Starmer a recuar em cortes sociais Starmer é forçado a abandonar planos de reduzir os gastos com assistência social após parlamentares de seu próprio partido ameaçarem derrotar o governo. Setembro de 2025 a abril de 2026: escândalo Mandelson A pressão sobre Starmer aumenta por causa da nomeação de Peter Mandelson como embaixador britânico em Washington. Mandelson acaba demitido devido a seus vínculos com o falecido criminoso sexual Jeffrey Epstein, enquanto surgem questionamentos sobre o julgamento político de Starmer e o processo de avaliação adotado. Maio de 2026: desastre nas eleições locais O Partido Trabalhista sofre pesadas derrotas nas eleições locais inglesas e nas votações para os parlamentos da Escócia e do País de Gales, aprofundando as dúvidas sobre a capacidade de Starmer de governar. O principal beneficiado é o Reform UK. Maio de 2026: Wes Streeting renuncia ao ministério da saúde O ministro da Saúde, Wes Streeting, deixa o cargo afirmando ter perdido a confiança na liderança de Starmer e pede uma disputa pela liderança do partido, da qual diz esperar participar. Junho de 2026: ministro da defesa John Healey renuncia O ministro da Defesa, John Healey, deixa o governo após meses de disputa sobre os gastos militares, acusando Starmer de não destinar os recursos necessários para proteger o país diante do aumento das ameaças. Junho de 2026: Andy Burnham mostra que pode derrotar o Reform UK O prefeito da Grande Manchester, Andy Burnham, vence uma eleição no norte da Inglaterra, derrotando amplamente o Reform UK e garantindo seu retorno a Westminster, eliminando um importante obstáculo a uma eventual disputa pela liderança contra Starmer. O candidato trabalhista Andy Burnham gesticula, cercado por apoiadores no Stubshaw Cross Community and Sports Club, durante a votação na eleição suplementar de Makerfield, em Ashton-in-Makerfield, Inglaterra, quinta-feira, 18 de junho de 2026 — Foto: Peter Byrne/PA via AP, arquivo