O Reino Unido tem hoje dois problemas principais, mas nenhum será resolvido pela troca do atual primeiro-ministro, o trabalhista Keir Starmer, que anunciou sua demissão na segunda-feira 22 e abriu espaço para outro parlamentar da legenda, mais provavelmente o ex-prefeito de Manchester Andy Burnham ou o ex-secretário nacional de Saúde Wes Streeting, assumir seu lugar até o fim de julho, antes que o Parlamento volte do recesso.
O primeiro problema não resolvido por Starmer em quase dois anos de mandato, que nem será resolvido por seu sucessor, seja ele quem for, é o impacto econômico negativo e persistente de uma decisão desastrada, tomada há exatos dez anos, quando, em junho de 2016, uma estreita maioria ressentida e mal informada decidiu aprovar o Brexit, nome dado à saída britânica da União Europeia. Desde então, a economia não cresce e as oportunidades de reerguê-la encolhem na mesma medida em que aumentam as dificuldades burocráticas para as empresas nacionais voltarem a exportar produtos e serviços ao restante da Europa de forma minimamente competitiva. Agora, a maioria dos britânicos quer voltar à UE. Segundo pesquisa YouGov, 56% da população considera o Brexit um erro, e muitos têm saído às ruas para protestar em favor da reconexão, mas essa possibilidade nunca esteve no topo da agenda de Starmer, como não parece estar na de nenhum de seus dois mais prováveis sucessores, Burnham e Streeting.










