Espetáculo 'No entanto, ela se move' propõe reflexões sobre movimento, tempo e escuta, além de um olhar apurado para o que se esconde no corre-corre do mundo 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Márcia Rubin e Juracy de Oliveira estrelam o espetáculo 'No entanto, ela se move' — Foto: Rodrigo Menezes/Divulgação RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você Inspirado na célebre frase de Galileu Galilei, o espetáculo propõe uma reflexão poética sobre a aceleração do mundo moderno e a nossa desconexão com o espaço. A montagem em cartaz no Sesc Copacabana tem direção de Dadado de Freitas. O ator Juracy de Oliveira divide o palco com a coreógrafa carioca. A dramaturgia de Pedro Kosovski costura teatro e dança de forma fragmentada. A obra busca reativar a atenção do público para a própria existência. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO Falta tempo para ver o céu. Basta pôr os pés nas ruas — ou entrar num ônibus, num vagão de metrô, numa fila qualquer —, e logo se percebe a quase totalidade dos olhares curvada para baixo, sobre o azul de alguma tela na mão. Mas isso não é bem uma novidade. A ironia, como aponta a coreógrafa e bailarina Márcia Rubin, é que, ainda assim, as pessoas seguem obcecadas em “conquistar” o espaço sideral, esta enigmática arena de astros que paira acima das cabeças. “Como pode isso, né!?”, a artista se questiona, entre o riso e o espanto. A indagação preenche as entrelinhas de “No entanto, ela se move”, espetáculo que marca a volta de Márcia aos tablados após um hiato de 15 anos — e que cumpre temporada até domingo no Sesc Copacabana, na Zona Sul do Rio de Janeiro. Ao lado do ator Juracy de Oliveira, a carioca dá vida a figuras atentas, num universo em aceleração constante, às forças que sustentam e erodem as estrelas, os segundos, os dias, as peles, os poros. A dramaturgia de Pedro Kosovski, sob direção de Dadado de Freitas, apresenta histórias fragmentadas, que costuram as linguagens do teatro e da dança (e sobrepõem formas humanas e celestes) por meio de imagens simbólicas. — A gente transita entre a palavra e o movimento, o “macro” e o “micro” e o universo total e a sala do teatro, num deslocamento espacial realizado de forma poética — detalha Márcia. — A proposta é ativar cabeças e corações para recuperar um “estar no mundo” com uma maior atenção para o que somos e para o que representa, afinal, estar vivo. Márcia Rubin e Juracy de Oliveira estrelam o espetáculo 'No entanto, ela se move' — Foto: Rodrigo Menezes/Divulgação O título da obra pinça uma frase atribuída a Galileu Galilei (1564-1642). Diz a lenda que, depois de renegar, à fórceps, a teoria de que a Terra girava ao redor do Sol — para fugir da fogueira da Inquisição —, o físico teria murmurado: “No entanto, ela se move”. A colocação hoje é transformada em resposta a uma sociedade aparentemente anestesiada com excessos e mais excessos. — Como sobreviver poeticamente a este mundo acelerado e com a escuta tão baixa? Isso é o que norteia nosso trabalho — frisa Márcia, uma das principais referências no país em preparação corporal. — A frase de Galileu abre um mundo de possibilidades. Tem a ver com este planeta que ainda se move, apesar de tudo e de todos, inclusive aqueles que afirmam que ele é plano. E também tem a ver comigo, numa nova situação, mais velha, voltando à cena, 15 anos depois.
Márcia Rubin volta aos palcos, após hiato de 15 anos, em obra que junta linguagens da dança e do teatro
Espetáculo 'No entanto, ela se move' propõe reflexões sobre movimento, tempo e escuta, além de um olhar apurado para o que se esconde no corre-corre do mundo







