É como se a atriz flutuasse em meio às estrelas. Atrás dela, há uma constelação formada por pontos luminosos num telão. À direita e à esquerda, objetos semelhantes a rochas transportam o espectador para a superfície árida de Marte. Nesse cenário, a artista caminha em direção a um globo azulado preso sobre o palco. Ela o acaricia, como se afagasse uma criança manhosa. Regina Casé tem agora o mundo em suas mãos.

O cuidado com que ela manuseia o planeta no monólogo "Viva! Vida!" é próprio de alguém fascinado pela Terra. Essa devoção poderá ser sentida na capital paulista a partir de 9 de julho, quando o espetáculo estreia no Teatro Sérgio Cardoso, no centro da cidade, após uma temporada bem-sucedida no Rio de Janeiro.

Com direção de Daniela Thomas e texto de Estevão Ciavatta, o solo se debruça sobre diferentes capítulos da história do mundo. Começa por sua origem, passando pelo surgimento da vida até chegar aos dias atuais, em que o planeta sofre os efeitos predatórios da ação humana. É como se Casé escrevesse a biografia da Terra diante do público.

Essa narrativa começou a ganhar forma por influência de Ciavatta, com quem é casada há mais de duas décadas. No ano passado, o cineasta se reuniu com cientistas para fazer um documentário sobre a desertificação da Amazônia.