Seleção lembra o Real Madrid que não encantava, mas acabava campeão 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Carlo Ancelotti em ação pela seleção brasileira contra a Escócia — Foto: PATRICIA DE MELO MOREIRA / AFP RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 25/06/2026 - 20:40 Ancelotti Transforma Seleção Brasileira com Estilo do Real Madrid A seleção brasileira, sob a influência de Carlo Ancelotti, começa a refletir o estilo do técnico italiano, lembrando o Real Madrid que venceu a Champions e LaLiga em 2024. Ancelotti tem priorizado um vestiário unido, foco na defesa e estrelas como Vinicius Junior sendo decisivas. Com uma formação que equilibra meio e ataque, o Brasil ganha confiança, essencial para o sucesso em competições. Ancelotti busca não só um estilo de jogo, mas uma transformação filosófica na equipe. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO A seleção, hoje, tem a cara do bom e velho Ancelotti. Um vestiário fechado, que se entende e funciona como uma família, uma obsessão por não sofrer gols e as estrelas (ou, no caso do Brasil, Vinicius) fazendo a diferença. Essa foi a fórmula utilizada pelo italiano de maneira muito bem-sucedida na sua segunda passagem pelo Real Madrid. Mais do que uma ideia, um sistema de jogo, o estilo Ancelotti é mais filosófico do que tático. Mas, sem dúvida, existe, sim, uma relação visível entre o funcionamento daquele Real Madrid e do Brasil nos últimos dois jogos, principalmente aquele Real que ganhou a dobradinha Champions/LaLiga em 2024, em uma temporada de resultados extraordinários conquistados por um time do qual se esperava muito pouco. Para nós, que cobrimos aquele time no dia a dia, a temporada começou com jeito de ano de transição. A saída de Benzema para a Arábia Saudita e a tentativa frustrada de trazer Kylian Mbappé deixou um buraco no ataque, que Ancelotti acabou ocupando de forma improvisada com Bellingham numa função muito parecida com a exercida hoje por Matheus Cunha. Ora homem de armação, ora atacante, a entrada de Cunha nessa função híbrida que conecta o meio com o ataque foi o que equilibrou o time e lhe deu uma estrutura identificável, um losango com Bruno Guimarães e Paquetá flutuando pelo meio e infiltrando passes como Valverde e Kroos faziam para dois pontas com liberdade de movimentação que abrem o campo e criam alternativas para triangulações e saídas em velocidade. Vendo como esse time funciona, fica ainda mais difícil de entender o que Ancelotti queria com o time que começou a estreia contra o Marrocos, com Igor Thiago como atacante centralizado, porque é uma ideia tão diferente da que imediatamente deu certo com a óbvia entrada de Cunha. O meio de campo ficava despovoado, frágil para defender e previsível de marcar na hora de atacar. Mas o importante é que o erro foi corrigido rapidamente. E quando o time cresce de forma coletiva em torno de uma estrela inspirada, que chama a responsabilidade e entrega, a confiança cresce e as coisas começam a fluir naturalmente. Você mal percebe, e o time sabe o que precisa fazer para avançar. É inevitável sentir que o Brasil começa a confiar em si mesmo, que o time está ficando redondo e entendendo o seu verdadeiro potencial. E que isso aconteça agora, com a chegada do mata-mata, pode ser tudo o que o Brasil precisava para vencer a competição com o treinador mais copeiro da história do futebol europeu. O torcedor pode romantizar, e é muito fácil olhar para trás e idealizar um time como o Real Madrid. Mas, verdade seja dita: as duas últimas conquistas do Real foram vencidas mais na malandragem e no espírito italiano paizão de Ancelotti do que na beleza da bola. O Real não era o time que encantava naquele ano. Bayern, PSG e o então campeão, Manchester City, eram os times a serem batidos. Mas o Real foi avançando meio que aos trancos e barrancos, sem encantar, mas com resiliência e, na bacia das almas, com um Vini estrelar. Superou City e Bayern para chegar à final e bater o Borussia, que, inclusive, dominou boa parte do jogo em Wembley. Só que o Real de Ancelotti era especialista em sobreviver. E em vencer. Acho que isso tem muito de uma coisa que eu gosto de chamar de hierarquia. Tem gente que chama de peso da camisa, algo que vai muito além desse clichê de tradição ou história. É simplesmente saber o seu lugar em uma competição e colocar os rivais em seus devidos lugares. O empate arrancado com o Marrocos, com um golaço de Vini, parece ter sido o primeiro passo nessa direção. Mostrou a um rival que estava se achando que aqui é Brasil, e que na Copa do Mundo, contra a gente, o buraco é mais embaixo. Se na Champions ninguém quer enfrentar o Real, a sensação deveria ser a mesma com o Brasil em Copas. E, talvez, mais que um estilo de jogo, essa seja a transformação que Ancelotti estava buscando e que, parece, vai tomando corpo...