Decisivas para o crescimento do Brasil no Mundial, mudanças práticas promovidas pelo italiano são parecidas com as praticadas no clube espanhol 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Carlo Ancelotti em ação pela seleção brasileira contra a Escócia — Foto: PATRICIA DE MELO MOREIRA / AFP RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 25/06/2026 - 20:35 Ancelotti Revoluciona Seleção Brasileira na Copa com Juventude e Experiência Carlo Ancelotti implementa sua adaptabilidade da época no Real Madrid na seleção brasileira, transformando problemas em soluções na Copa do Mundo. Ao ajustar a formação e integrar jovens talentos como Rayan, o técnico italiano potencializa estrelas como Vini Jr., que se destaca com quatro gols na fase de grupos. Ancelotti promove um Brasil mais organizado e confiante rumo ao mata-mata, combinando juventude e experiência. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO “Agora somos uma equipe”: assim o técnico Carlo Ancelotti resumiu sua satisfação com a vitória da seleção brasileira por 3 a 0 contra a Escócia, na última quarta-feira. E, ainda que seja Vini Jr. o principal astro desse elenco e, consequentemente, o maior responsável pelo sentimento do “Mister”, é fato que o italiano tem influência direta nesse novo Brasil dentro da Copa do Mundo. Um time mais organizado e que, ao conseguir potencializar os principais jogadores, chega no mata-mata exalando confiança. Das sete partidas em que comandou a seleção brasileira em 2026, quando afunilou a lista de possíveis convocáveis até definir os 26 nomes que iriam para o Mundial, Ancelotti optou por uma escalação com quatro atacantes nas três primeiras (França, Croácia e Panamá). A ideia era, na falta de meio-campistas que passassem confiança ao treinador, fortalecer o setor ofensivo com jogadores que pudessem municiar Vini Jr. e Raphinha e deixar os dois livres de tantas responsabilidades defensivas. Mas não funcionou. Ainda que tenha ganho dois desses jogos, o Brasil estava desorganizado, com pouco controle dentro dos 90 minutos. Acostumado a se adaptar a diferentes contextos dentros dos times que comanda, o italiano, então, decidiu abrir mão de um dos atacantes para encaixar Lucas Paquetá em um trio de meias com Casemiro e Bruno Guimarães. O camisa 20 do Flamengo se recuperou bem de uma lesão na coxa esquerda que o tirou de sete partidas pelo rubro-negro entre abril e maio e, em bom nível físico, melhorou as dinâmicas do time canarinho logo de cara, no amistoso contra o Egito. Mesmo assim, o desempenho coletivo como um todo ainda não atingira níveis satisfatórios. Melhores momentos de Brasil x Escócia Problemas viram soluções Ainda contra os egípcios, o técnico italiano sofreu um duro baque ao perder Wesley. Único lateral-direito de ofício entre os 26 convocados iniciais, o defensor era titular absoluto da equipe, mas precisou ser cortado por uma lesão de grau três no músculo adutor da coxa esquerda. A partir daí, Ancelotti colocou em prática uma faceta que marcou sua passagem extremamente vitoriosa pelo Real Madrid-ESP: um treinador que faz os problemas virarem soluções. Para entender esta característica de Ancelotti, é preciso voltar para 2023. Um ano depois de conquistar o 14º de Champions League da história do Real Madrid, o italiano se viu numa sinuca de bico ao perder Karim Benzema, vencedor da bola de ouro daquela temporada. Sem um centroavante a altura no elenco, Ancelotti mudou o esquema de 4-3-3 que o havia consagrado para um 4-4-2. Com a alteração, Vini Jr. deixou de ser um ponta esquerdo grudado na linha lateral para se transformar num atacante completo, que sabia a hora de jogar por dentro e por fora, de buscar o enfrentamento e de atacar as costas da zaga adversária. — Ele me convenceu a mudar de posição, eu não queria. Ele me ensinou a jogar por dentro também — disse o brasileiro em 2024. Losango reaparece O resultado foi mais uma época de sucesso, com a conquista de mais uma Champions League e o campeonato espanhol. Eleito pela Fifa o melhor do mundo da temporada 2023/2024, Vini teve o brasileiro Rodrygo como dupla de ataque e Bellingham como o principal armador. De quebra, o meio-campista inglês ainda formava, junto de Casemiro, Toni Kroos e Modric, uma das principais marcas da carreira de Ancelotti: um losango no meio-campo. Guardadas as particularidades de cada atleta, a formação no time merengue tem similaridades com o Brasil que não deu chances à Escócia. Mas, antes de chegar até a partida da terceira e última rodada da fase de grupos, a seleção brasileira empatou (1 a 1) com Marrocos num jogo marcado pelo erro na escalação de Igor Thiago como centroavante titular, e perdeu mais um nome importante no lado direito na vitória (3 a 0) contra o Haiti. Considerado pelo próprio Ancelotti um dos melhores jogadores do mundo, Raphinha sofreu lesão no músculo posterior da coxa direita e, no cenário mais otimista, estará recuperado para uma hipotética oitavas de final. A disposição tática da seleção brasileira contra a Escócia — Foto: Editoria de Artes Mais uma vez, Ancelotti fez um problema virar solução. Na vaga do camisa 11, que não vivia boa fase dentro e fora dos campos, com muitas críticas por parte da torcida, o italiano lançou Rayan, um dos principais xodós desse elenco. Aos 19 anos, o atacante revelado no Vasco até foi um pouco atrapalhado pelo nervosismo, mas nada que ofuscasse suas qualidades técnicas e físicas. Posicionado como um ponta pela direita, o 26 deu amplitude e profundidade ao time, e ainda ajudou na marcação. — (Rayan) fez um trabalho completo a nível defensivo e ofensivo. Estou muito satisfeito com a partida que jogou — elogiou Ancelotti. Tradicional no futebol mundial, a mistura de juventude com experiência rendeu frutos ao Brasil. Aos 34 anos, Danilo, que havia oficializado a mudança para a zaga, voltou a ser lateral e tem transmitido segurança pela direita. Mais fixo no campo de defesa, o camisa 13 possibilita as investidas de Douglas Santos pela esquerda. Já no ataque, Matheus Cunha ganhou oportunidade como titular e respondeu à altura. Além dos três gols, o atacante do Manchester United tem sido fundamental ao atuar como um “falso 9” que, por vezes ataca os espaços em profundidade, e em outras desce para formar um novo losango no meio e abrir novas lacunas que podem ser agredidas por Rayan e, principalmente, Vini Jr. Potencializado, o camisa 7 assumiu de vez os holofotes da seleção brasileira. Os quatro gols nos três jogos da fase de grupos o colocam na vice-artilharia da Copa do Mundo e como um dos concorrentes ao prêmio de melhor jogador do torneio. O desempenho proporciona expectativas elevadas para as próximas fases. Acostumado a aparecer em momentos cruciais, Vini é o atleta mais decisivo em mata-matas da Champions League desde que estreou no torneio, em 2018/19. Das 30 participações em gols, 20 foram entre 2021 e 2025, período que foi comandado por Ancelotti. A contagem inclui dois gols em finais. Tudo isso faz com que as esperanças no camisa 7, no técnico italiano e na seleção brasileira cresçam cada vez mais.