Os melhores times do Real de Ancelotti raramente foram perfeitos, mas carregavam a certeza de que a história nunca estava encerrada 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Bruno Guimarães comemora a vitória do Brasil sobre o Japão, que garantiu a vaga nas oitavas de final — Foto: Alex Slitz/Getty Images via AFP RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 29/06/2026 - 19:25 Brasil de Ancelotti Remonta e Vence Japão em Jogo Emocionante No confronto contra o Japão, o Brasil de Ancelotti reviveu a aura do Real Madrid: imperfeição, resiliência e uma reviravolta de arrepiar. Combinando pressão alta e precisão de passe, a seleção superou erros e flertou com o abismo, evocando a tradição de desafiar a lógica. Carletto, mestre em torneios complicados, reafirma que o emocional e o caos são suas armas, prometendo mais emoção na Copa. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO Diga a verdade: você teria tirado o Casemiro no intervalo. Eu teria tirado antes do intervalo. Estava desesperado. E, convenhamos, Martinelli teria sido uma das últimas alternativas da sua prancheta. Da minha, também. Genialidade ou pura sorte, a estrela de Ancelotti brilhou contra o Japão num dia que não foi para cardíacos. Carletto passou várias semanas alertando que garra e resiliência seriam decisivas em uma Copa do Mundo longa e complexa. Pelas evidências, seus jogadores ouviram — ainda que, durante boa parte do duelo contra o Japão, o Brasil tenha parecido disposto a levar essa tese (e a saúde mental do torcedor) ao limite. Parecia um roteiro clássico escrito por Ancelotti: oscilação, problemas criados pelo próprio time e flertes com o abismo. Mas, quando a lógica já fazia as malas rumo à prorrogação, o coração desceu para a ponta da chuteira e validou as escolhas do treinador. Seria simplismo dizer que foi mais vontade que tática. O gol sai da pressão alta de Rayan e de um passe preciso de Bruno Guimaraes, duas armas poderosas do time brasileiro nessa copa. Mas é difícil não traçar comparações com aquele Real Madrid de Ancelotti, que adorava infartar torcedores ganhando jogos na bacia das almas. Ancelotti entende de torneios longos e tortuosos. Seus melhores times do Real Madrid raramente foram perfeitos, mas carregavam algo mais perigoso do que a perfeição: a certeza de que a história nunca estava encerrada. Eram os donos da narrativa, mesmo que esta certeza fosse quase um delírio. Em 2022, o Real reagiu contra Paris Saint-Germain, Chelsea e Manchester City no caminho até o título da Champions League, sobrevivendo a cenários que pareciam irreversíveis — até deixarem de ser. Nem sempre foi bonito, longe disso. Mas foram reais, aconteceram, frutos de uma inabalável frieza competitiva, de uma lucidez insana em meio ao caos. De uma recusa obstinada em aceitar o desfecho mais óbvio, mesmo quando nada fazia sentido. Rodrygo, Joselu, Vini, a cadeira do Alaba... Por histórias como estas que o Real é o dono da Champions. Uma aura que o Brasil teve durante anos em Copas do Mundo. A cada quatro anos, o Brasil chegava com a certeza de que a Copa era seu território, seu habitat natural. E sempre pairava entre os rivais a sensação de que, pra ganhá-la, era preciso primeiro passar pelo Brasil. Contra o Japão, a equipe de amarelo — por vezes lembrando discretamente um toque de branco merengue — mostrou as duas faces do tal “Pacto Ancelottiano”: dominou desde o início e foi superior, mas também se expôs por erros previsíveis, familiares e perigosos de velhos conhecidos, como Danilo e Casemiro. Aquela sensação de que você sabe que não pode entrar em pânico mas também é consciente que de a qualquer momento pode dar ruim. É justamente aí que os times de Ancelotti costumam revelar seu lado mais maravilhoso. Um sadomasoquista, Carletto parece ser inimigo do domínio estéril. Suas grandes criações vivem nas margens, onde o jogo se parece se alimentar do emocional, do caótico, do visceral. Prepare-se para mais emoções, porque o Brasil de Ancelotti, que usa essa amarelinha com tons brancos merengue, não será o time mais brilhante e completo. Mas, como o coroa tem dito, Copas raramente se vencem pela pureza. Ancelotti já viu esse filme antes...