Treinador sempre defendeu uma equipe que não tivesse uma identidade; filosofia mostrou seu valor na classificação para as oitavas 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 A comemoração dos jogadores da seleção brasileira no gol de Gabriel Martinelli sobre o Japão — Foto: Getty Images via AFP RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 29/06/2026 - 22:02 "Ancelotti e sua Filosofia Camaleônica Garantem Vaga do Brasil nas Oitavas" A filosofia camaleônica de Carlo Ancelotti foi crucial para a vitória do Brasil sobre o Japão por 2 a 1, garantindo a vaga nas oitavas da Copa. Ancelotti valoriza uma equipe sem identidade fixa, adaptável às circunstâncias do jogo. Destaques incluem Bruno Guimarães, com assistências importantes, e Martinelli, decisivo na virada. A flexibilidade tática do técnico italiano promete ser um trunfo nas próximas fases. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO O técnico Carlo Ancelotti já afirmou algumas vezes que não quer que a seleção tenha apenas uma identidade. Mas, sim, várias. A filosofia mostrou seu valor nesta segunda-feira, em Houston. Foi graças ao estilo camaleônico defendido pelo italiano que a equipe venceu o Japão por 2 a 1 e avançou para as oitavas de final. Uma virada sofrida, que apresentou limitações e ligou o alerta sobre Lucas Paquetá, substituído no intervalo com dor na coxa direita. Mas que também trouxe esperança para a sequência brasileira no Mundial. Cujo próximo desafio, domingo, em Nova Jersey, ainda não é conhecido. O adversário virá de Noruega x Costa do Marfim, nesta terça, às 14h (de Brasília), em Dallas. Difícil até de antever o que vem por aí, pois se tratam de dois estilos diferentes de jogo. Mas, pela forma como a volta por cima foi dada contra o Japão, esta imprevisibilidade tende a não ser um problema para Ancelotti e sua ideia de equipe mutável, como foi do primeiro para o segundo tempo. — O futebol tem erros, não se pode evitar. Ninguém é perfeito. Podemos ajustar e nos recuperar dos erros. É o que temos feito. É seguir em frente. Fizemos isso no segundo tempo. Ninguém achava que o time não iria pensar. Ninguém achava que esse time não ia fazer gol — afirmou. A vitória teve destaques individuais. E, desta vez, nenhum deles foi Vini Jr. O camisa 7 não brilhou como nos jogos anteriores. Isso não significa que tenha jogado mal. No segundo tempo, quase fez um golaço que certamente seria lembrado por anos, dada a quantidade de marcadores que deixou para trás em bela jogada individual. Só que o goleiro Zion Suzuki conseguiu desviar a bola e fazê-la parar na trave. Quase todo o estádio lamentou. Já Bruno Guimarães manteve a média. Mais uma vez apareceu bem na frente e deu assistência. Já são quatro em quatro partidas. Desde 1982, com Zico, nenhum brasileiro havia servido tanto os companheiros numa única edição. Agora, ele está a duas do recorde de Pelé, em 1970. — Bruno é um jogador muito importante. Muito contínuo no jogo, sempre tem boa participação defensiva e ofensivamente. Deu uma assistência fantástica. Estou muito feliz, porque ele tem um coração muito grande — elogiou o técnico. Numa tarde em que Paquetá não esteve bem e saiu machucado no intervalo, Bruno segurou a articulação da equipe no segundo tempo. Seja mais de trás, como um legítimo camisa 8, seja mais próximo (ou até dentro) da área, como foi na jogada do segundo gol, de Martinelli. O atacante, claro, também foi um dos grandes nomes do jogo. E não só pelo gol do alívio, nos acréscimos. Mas pela atuação. Assim como contra a Escócia, ele não entrou como um ponta. Jogou mais atrás, já que Vini não foi substituído. E deu conta do recado, mostrando versatilidade importante para ele mesmo. Não fosse isso, estaria limitado a brigar por posição com o principal jogador do time. Por fim, vale citar Rayan. O ex-Vasco cresceu no segundo tempo, jogando mais aberto. A ponto de ter havido um equilíbrio entre as investidas pela direita e pela esquerda (normalmente o lado mais forte da equipe). Mas a grande arma do Brasil foi mesmo a leitura de jogo de Ancelotti. O 4-3-1-2 que dera certo contra Haiti e Escócia até funcionou nos primeiros minutos. Mas os ajustes promovidos pelo Japão na parada para hidratação criaram um problema. Para completar, Danilo falhou e deu a bola para Sano abrir o placar, aos 28. Com Endrick no lugar de Paquetá, Ancelotti retornou ao esquema com quatro atacantes. E deu certo. Cunha passou a jogar mais presente na área e Vini e Rayan alargaram a defesa japonesa. O segundo tempo foi um bombardeio. Principalmente com bola aérea. Numa muito bem levantada por Gabriel Magalhães, Casemiro empatou, aos 9. A mudança escancarou os espaços no adversário. E o gol da virada, de Martinelli (que assumira o lugar de Cunha), após boa jogada de Rayan pela direita e o passe de Bruno, até demorou para sair. Premiou um Brasil que encontrou soluções para os problemas sem medo de mudar. E que o fará de novo no domingo, se preciso for, pois uma identidade só não basta para os times de Ancelotti.