Concessionária opera 50 linhas na Zona Leste de São Paulo; gestão Ricardo Nunes (MDB) informou que irá decretar intervenção no negócio 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Frota de ônibus da Transunião, empresa alvo de operação da Polícia Civil — Foto: Reprodução/ Instagram RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 25/06/2026 - 19:36 Empresa de Ônibus em SP é Investigada por Lavagem de Dinheiro e Ligações com PCC A Transunião, operadora de ônibus na Zona Leste de SP, recebeu R$ 397 milhões da prefeitura em 2025 e é alvo de investigação por lavagem de dinheiro envolvendo o PCC e o vereador Senival Moura. Com operação em 50 linhas, a empresa está sob intervenção após operação policial que prendeu várias pessoas, incluindo Senival. A investigação apontou o uso da empresa para repasses financeiros ilícitos. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO A Transunião, empresa de ônibus alvo da Polícia Civil de São Paulo nesta quinta-feira (25), recebeu repasses de R$ 397,3 milhões da prefeitura pela operação de 50 linhas na capital paulista em 2025. A concessionária estaria envolvida em um esquema de lavagem de dinheiro da facção Primeiro Comando da Capital (PCC) em que o vereador Senival Moura (PT), preso na operação, foi apontado como uma das figuras centrais. As linhas operadas pela Transunião fazem parte de dois lotes do chamado "grupo local de distribuição", nome dado aos trajetos que conectam as regiões mais afastadas dos bairros aos terminais, estações, corredores e ônibus. A frota da empresa circula por bairros da Zona Leste de São Paulo como Vila Prudente, Sapopemba e também Itaim Paulista e São Miguel. Segundo dados da SPTrans, a empresa transporta uma média de 262 mil passageiros diariamente nos dois lotes. Dentro deste grupo de contratos, a empresa está entre as quatro que mais receberam repasses do poder público no ano passado, segundo dados dos relatórios de despesas e receitas do sistema de transporte coletivo publicados pela prefeitura. Em primeiro lugar aparece o consórcio Transnoroeste, que opera 112 linhas e recebeu R$850 milhões em 2025. Na sequência vem a Transwolff, que esteve sob intervenção da prefeitura e cujos contratos foram encerrados, com R$843 milhões, e a Allibus, com R$464 milhões. Após a operação, o prefeito Ricardo Nunes (MDB) determinou a intervenção na empresa, nos moldes ao que foi feito na Transwolff e na Upbus em 2024. Segundo a gestão, as linhas não serão prejudicadas e seguirão circulando normalmente. Além de Senival, também foram presos Jair Ramos de Freitas, conhecido como “Cachorrão” e Devanil de Souza Nascimento, conhecido como “Sapo”. Também são alvos de mandados de prisão Leonel Moreira Martins e Lourival de França Monario, mas eles ainda não foram presos. Lourival está fora do país, de acordo com os investigadores. A investigação que levou a Polícia Civil e o Ministério Público de São Paulo (MP-SP) a apontar o vereador Senival Moura como participante do esquema foi iniciada após a execução de Adauto Soares Jorge, então presidente da empresa de ônibus Transunião Transportes S.A., em março de 2020. Ele foi morto a tiros no estacionamento de uma padaria em Lajeado, bairro da Zona Leste de São Paulo. Com a vítima, foram apreendidos celulares e pen drives que possibilitaram a descoberta de várias informações relativas à empresa, como funcionava a administração e o controle financeiro e as transferências de valores para criminosos ligados ao PCC. Em nota, a defesa do vereador S afirmou que recebeu "com profunda indignação a decretação de sua prisão temporária" e que ele não exerce "qualquer função de gestão, direção ou ingerência na empresa há mais de seis anos" (leia a íntegra abaixo). Suspeitas sobre Senival As apurações do MP e da Polícia Civil apontam que a Transunião era usada por pessoas com “vínculos diretos ou indiretos com o PCC” que exerciam “ingerência sobre a atividade econômica da empresa, controlando a administração da frota operacional, a circulação de recursos financeiros e a redistribuição de receitas”. Ainda segundo as investigações, na prática Senival funcionava como um dos donos da empresa, e tinha poder sobre a movimentação dos recursos financeiros da companhia. A ligação de Senival à empresa foi constatada por meio de mensagens e análise de contas bancárias. Em diversas conversas, Leonel Moreira Martins, apontado como “operador” do esquema e que fazia o intermédio dos repasses entre a Transunião e Senival Moura, cita seu nome, ora como "vereador", ora como "veio". Era Leonel quem pedia, com frequência, que Adauto liberasse transferências de dinheiro — que depois, descobriu a polícia, eram repassadas para Senival. Em mensagens obtidas pela investigação, é possível ver Leonel pedindo a Adauto “não se esquece dos 20, já conversamos sobre isso com o veio” e “5 mil nesta conta na quarta-feira, já conversei com o veio”. Veio, segundo as apurações, era um dos termos pelo qual Senival era chamado por Leonel e Adauto. Em agosto de 2019, por exemplo, Leonel chega a mandar que Adauto deposite R$ 53 mil e diz que já falou “com o vereador”. Segundo a Polícia Civil, Adauto foi morto após desentendimentos internos sobre a condução financeira da empresa, e suspeitas de desvios de recursos que beneficiariam o grupo de Senival Moura. A morte dele, ainda de acordo com as investigações, possibilitou uma mudança de controle dos fluxos econômicos da Transunião. Segundo o inquérito, a empresa tinha uma estrutura de "comando informal", associada a pessoas com possível vínculo com o PCC, e sua atividade econômica vinculada ao transporte público coletivo da capital também servia como forma de lavar dinheiro para a facção criminosa. Outros indícios da ligação de Senival à Transunião são os ônibus da empresa. De acordo com as apurações, o nome do vereador aparecia com frequência em planilhas da empresa como responsável pela frota de veículos. Em uma planilha que elencava os "cooperados oficiais", que continha os nomes dos cooperados, a placa dos veículos e a linha que era operada por cada um, em ao menos 13 ônibus diferentes havia o nome "Senival". Um dos veículos estava ligado ao CPF de Maria de Lourdes de Moura, esposa de Senival Moura. Em outros casos, os ônibus estavam registrados no nome da empresa Trans Brasil LTDA, mas ao lado havia a inscrição "Senival" na planilha. Em outros casos, alguns veículos estavam de fato vinculados ao CPF de Senival na planilha, ainda que eles fossem oficialmente registrados em nome da Transunião. Uma busca e apreensão do escritório do vereador, em 2022, também encontrou documentos relacionados à exploração do transporte coletivo vinculado à Transunião em seu escritório político.
Transunião, empresa de ônibus alvo de operação em SP, recebeu repasses de R$ 397 milhões da prefeitura em 2025
Concessionária opera 50 linhas na Zona Leste de São Paulo; gestão Ricardo Nunes (MDB) informou que irá decretar intervenção no negócio














