Abalos de magnitude 7,2 e 7,5 ocorreram quase no mesmo ponto, em sequência conhecida como dupleto sísmico; autoridades relataram ao menos 32 mortos e cerca de 700 feridos em balanço inicial 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Terremotos na Venezuela — Foto: AFP RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 25/06/2026 - 09:36 Venezuela: Dupleto sísmico raro provoca 32 mortes e 700 feridos Dois raros terremotos, de magnitudes 7,2 e 7,5, atingiram a Venezuela com apenas 39 segundos de diferença, em um fenômeno conhecido como dupleto sísmico. Os abalos causaram ao menos 32 mortes e feriram cerca de 700 pessoas. A sequência, sentida amplamente no Caribe, é uma das mais fortes em quase um século na região. Autoridades continuam as buscas por vítimas e avaliam o impacto nas infraestruturas. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO Para a maioria dos venezuelanos, foi como se a terra tivesse tremido uma única vez. Mas os registros sísmicos indicam que a Venezuela foi atingida por dois terremotos fortes, separados por apenas 39 segundos, em um fenômeno raro conhecido como sismo duplo ou dupleto sísmico. O episódio ajuda a explicar por que o abalo de 24 de junho de 2026 foi considerado especialmente perigoso por especialistas. O primeiro tremor, de magnitude 7,2, ocorreu às 22h04 GMT, 18h04 no horário local, em uma área próxima à costa norte-central do país, a cerca de 21 quilômetros a oeste de Morón. Menos de um minuto depois, às 22h05 GMT, um segundo terremoto, ainda mais forte, de magnitude 7,5, atingiu praticamente a mesma região, segundo dados do Serviço Geológico dos Estados Unidos, o USGS. Os tremores foram sentidos na Venezuela, em Trinidad e Tobago, em Porto Rico e em várias ilhas do Caribe. A sequência está entre as mais fortes registradas na região em quase um século. Forte terremoto atinge a Venezuela 1 de 12 Prédios destruídos, feridos e pânico: imagens mostram destruição causada por terremoto na Venezuela — Foto: Juan Barreto/AFP 2 de 12 O governo venezuelano declarou estado de emergência após dois fortes terremotos atingirem o país quase consecutivamente — Foto: Juan Barreto/AFP X de 12 Publicidade 12 fotos 3 de 12 Os tremores foram sentidos até na Colômbia e no Brasil — Foto: Federico Parra/AFP 4 de 12 As cenas em Caracas eram de destruição e pânico — Foto: Federico Parra/AFP X de 12 Publicidade 5 de 12 Pessoas do lado de fora gritavam os nomes de seus parentes, e alguns voluntários escalavam os escombros — Foto: Federico Parra/AFP 6 de 12 Diversas áreas ficaram sem energia elétrica. Muitas ruas estavam cobertas de cacos de vidro — Foto: Manaure Quintero/AFP X de 12 Publicidade 7 de 12 Pessoas que evacuaram prédios em Caracas esperaram mais de uma hora antes de retornar — Foto: Manaure Quintero/AFP 8 de 12 Prédios desabaram em diferentes partes de Caracas — Foto: Manaure Quintero/AFP X de 12 Publicidade 9 de 12 Dezenas de socorristas trabalhavam entre os escombros em busca de possíveis vítimas e sobreviventes — Foto: Federico Parra/AFP 10 de 12 A Venezuela é frequentemente atingida por terremotos — Foto: Federico Parra/AFP X de 12 Publicidade 11 de 12 Terremotos causaram destruição na Venezuela — Foto: AFP 12 de 12 Terremotos na Venezuela: país registra 10 réplicas após abalos que deixaram ao menos 32 mortos — Foto: AFP X de 12 Publicidade Prédios desabaram em diferentes partes de Caracas A vice-presidente venezuelana, Delcy Rodríguez, informou um balanço inicial de 32 mortos e mais de 700 feridos. “É uma verdadeira tragédia”, afirmou, enquanto equipes de emergência seguiam nas buscas por vítimas sob os escombros. O número, ainda provisório, podia aumentar à medida que autoridades chegassem a áreas mais afetadas. Entenda sequência O que torna o caso incomum é a ordem dos abalos. Em uma sequência sísmica típica, há um terremoto principal, seguido por réplicas menores. Na Venezuela, porém, dois eventos de grande magnitude ocorreram quase no mesmo local e em intervalo extremamente curto. Além disso, o segundo tremor foi mais forte que o primeiro, o que reforça a classificação como dupleto sísmico. Pessoas permanecem em meio aos escombros, perto de um prédio danificado, após um terremoto em Catia La Mar, no estado de La Guaira — a cerca de 30 km a noroeste de Caracas — nas primeiras horas de 25 de junho de 2026 — Foto: FEDERICO PARRA / AFP Na prática, o primeiro abalo, que por si só já teria provocado uma grande emergência, foi seguido por outro ainda mais intenso antes mesmo que as ondas sísmicas iniciais terminassem de se propagar. Como a escala de magnitude é logarítmica, a diferença entre 7,2 e 7,5 representa uma liberação de energia cerca de três vezes maior no segundo tremor. Somados, os dois eventos equivalem a uma liberação próxima à de um terremoto de magnitude 7,6. Especialistas explicam que o fenômeno pode ocorrer quando a ruptura de uma falha altera rapidamente a tensão em um segmento vizinho. Em vez de aliviar completamente a energia acumulada na crosta, o primeiro terremoto pode transferir parte dessa pressão para uma área próxima, levando a uma nova ruptura quase imediata. No caso venezuelano, essa transferência teria ocorrido em poucos segundos. Essa dinâmica aumenta o potencial destrutivo. O segundo terremoto pode atingir prédios, estradas e infraestrutura já fragilizados pelo primeiro tremor. Mesmo quando a diferença é de menos de um minuto, a população sente uma sequência quase contínua de abalos, enquanto construções danificadas têm menos chance de resistir. O USGS identificou os dois eventos como tremores distintos, de magnitudes 7,2 e 7,5. Outros centros de monitoramento, porém, tiveram dificuldade para separá-los nas primeiras análises. O centro alemão GFZ registrou inicialmente um único evento de magnitude 7,3, enquanto o Centro Nacional de Sismologia da Índia apontou magnitude 6,8. A diferença, segundo especialistas, não indica necessariamente erro, mas reflete a complexidade de registrar dois terremotos que se sobrepuseram no tempo. A região atingida fica sobre a zona de contato entre as placas do Caribe e Sul-Americana. Diferentemente de áreas de subducção, onde uma placa mergulha sob a outra, a margem norte da Venezuela é marcada por um movimento lateral, semelhante ao da falha de San Andreas, na Califórnia. A placa do Caribe se desloca para leste em relação à América do Sul, acumulando tensão ao longo de sistemas de falhas. Entre as principais estruturas geológicas do país estão as falhas de Boconó, San Sebastián e El Pilar. Elas compõem um sistema de mais de mil quilômetros ao longo do norte da América do Sul. O tremor de 24 de junho teria ocorrido perto da região onde a falha de Boconó se conecta às falhas costeiras orientadas de leste a oeste, embora ainda não esteja claro qual segmento específico se rompeu. O mecanismo focal calculado para os dois terremotos indica movimento lateral, típico de falhas transcorrentes. Esse tipo de terremoto tende a deslocar o solo horizontalmente, e não verticalmente, o que reduz a probabilidade de tsunami. Mesmo assim, alertas foram emitidos para áreas do Caribe, incluindo Porto Rico, Ilhas Virgens e ilhas holandesas próximas à costa venezuelana. A ameaça foi cancelada cerca de uma hora depois, sem registro de onda destrutiva. O alerta, segundo especialistas, foi uma medida de precaução. Embora terremotos de falha lateral não sejam grandes geradores de tsunamis, eles podem provocar deslizamentos submarinos capazes de deslocar água e formar ondas perigosas. Como esse risco não pode ser descartado nos primeiros minutos, os centros de monitoramento agem antes de confirmar se houve ou não deslocamento relevante no fundo do mar. A história sísmica da Venezuela mostra que a região já enfrentou eventos destrutivos. Em 1812, um terremoto ocorrido na Quinta-Feira Santa devastou Caracas e outras cidades durante a guerra de independência contra a Espanha. Estudos modernos indicam que aquele episódio também pode ter envolvido mais de um grande abalo no mesmo dia. Em 1900, um terremoto offshore de grande magnitude atingiu a costa norte-central. Em 1967, um tremor menor, de magnitude entre 6,5 e 6,6, causou graves danos em Caracas, principalmente em bairros construídos sobre sedimentos mais moles, como Altamira e Los Palos Grandes. Essas mesmas áreas voltaram a aparecer nos primeiros relatos de danos após o dupleto de 2026. O ministro do Interior, Diosdado Cabello, confirmou desabamentos e citou Los Palos Grandes e Altamira entre os locais mais afetados em Caracas. Também houve registros de danos nos estados de Trujillo, Yaracuy, Carabobo, Miranda, Aragua e La Guaira. O presidente da Assembleia Nacional, Jorge Rodríguez, apontou La Guaira como uma das regiões mais atingidas, com até 15 edifícios colapsados. Ainda há pontos em aberto. Sismólogos precisarão analisar a distribuição das réplicas, os modelos de ruptura e os dados finais das redes locais e internacionais para determinar se os dois abalos ocorreram no mesmo plano de falha ou em segmentos adjacentes. Também será necessário reconstruir a direção da ruptura, dado importante para entender como a energia se propagou em direção a cidades como Caracas.
Dois terremotos em 39 segundos: Entenda fenômeno raro que agravou tragédia na Venezuela
Abalos de magnitude 7,2 e 7,5 ocorreram quase no mesmo ponto, em sequência conhecida como dupleto sísmico; autoridades relataram ao menos 32 mortos e cerca de 700 feridos em balanço inicial
















