Em menos de um minuto, a Venezuela sentiu dois terremotos. Nas horas seguintes, ao menos 20 réplicas sacudiram o país. No Brasil, a milhares de quilômetros do epicentro, prédios e casas também tremeram. O que explica tudo isso? Por que isso aconteceu? A Venezuela está em uma das regiões mais sísmicas da América do Sul, no limite entre a Placa do Caribe e a Placa da América do Sul — duas grandes estruturas da crosta terrestre cujo atrito constante acumula energia por anos até liberá-la de forma súbita. É essa localização que explica por que o país foi atingido não por um, mas por dois terremotos diferentes. (Veja a arte acima) O que explica dois terremotos seguidos em poucos segundos? Em geral, depois de um terremoto é possível sentir réplicas — tremores menores que acontecem em consequência do abalo inicial. Num terremoto, a energia liberada se propaga em ondas pela crosta terrestre. É como jogar uma pedra na água: com o impacto, formam-se ondas que irradiam para todos os lados. Porém, não foi isso que aconteceu. O primeiro terremoto, registrado às 19h, acabou afetando uma falha adjacente nas placas tectônicas e desencadeou um segundo tremor, com novo epicentro — o que caracteriza um sismo gêmeo. E como foi possível sentir do Brasil? As ondas sísmicas percorrem milhares de quilômetros pela crosta e, mesmo perdendo intensidade com a distância, chegam com energia perceptível em outros países. Nesta terça-feira, moradores da região Norte sentiram o tremor com mais intensidade.