Tremores de magnitude 7,2 e 7,5 atingiram o país durante feriado nacional e já deixaram ao menos 235 mortos e 4,3 mil feridos, segundo balanço parcial 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Em Caracas, casal chora em frente a um prédio que desabou durante os terremotos — Foto: Adriana Loureiro Fernandez / The New York Times RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 25/06/2026 - 18:05 Terremotos devastam Venezuela: 188 mortos e 1.520 feridos em La Guaira Venezuelanos enfrentam tragédia após terremotos de magnitudes 7,2 e 7,5 devastarem o país, resultando em pelo menos 188 mortos e 1.520 feridos. Tremores atingiram durante o feriado nacional, causando desabamento de 250 prédios e deixando cidades sem energia. A região de La Guaira é a mais afetada, com muitos ainda desaparecidos. Resgates continuam em meio ao caos, mobilizando ajuda global. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO Em seu apartamento no 15º andar de um prédio na região de Los Símbolos, em Caracas, a fotógrafa venezuelana Dayana Durán, de 41 anos, havia acabado de deitar para ver o jogo entre Brasil e Escócia quando “tudo começou a tremer”. Eram 18h04 no horário local (19h04 em Brasília) de quarta-feira, Dia da Batalha de Carabobo, um dos feriados nacionais mais importantes do calendário venezuelano. A aproximadamente 45 metros do térreo, Dayana, no primeiro momento, sentou no chão, pois “não conseguia ficar em pé para andar até a porta” do quarto. Cerca de 40 segundos depois, quando ela, desesperada, tentava alcançar seus sapatos, chaves e telefone para descer as escadas do prédio, outro tremor – desta vez, duas vezes mais forte, 7,5 de magnitude. – O prédio se movia de um lado para o outro e me sacudia. O chão fazia eu quicar – conta a fotógrafa ao GLOBO. Os tremores, que, até o fechamento desta reportagem, deixaram ao menos 235 mortos e 4,3 mil feridos, foram seguidos por 30 réplicas. O segundo tremor só fica atrás de um terremoto de magnitude 7,7 registrado em 1900 no país, de acordo com dados do Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS). A magnitude do primeiro foi de 7,2, considerado duas vezes menor devido à forma como a escala Richter funciona. – Não conseguia colocar os sapatos e as janelas faziam um som muito forte. Eu ouvia coisas de vidro caindo ao meu redor, a estante, todos os livros caíram, quadros da sala – relembra Dayana. – Fiquei muda, não saíam gritos, palavras, nada para pedir socorro aos vizinhos. Quando, finalmente, conseguiu descer, escapou com dezenas de vizinhos e correu até a avenida principal, distância que considerava segura caso o prédio desabasse. Mas o chão ainda tremia. Dayana ficou na rua até as 22h, quando decidiu voltar ao apartamento. – Comecei a varrer tudo que quebrou e recolher os livros do chão. A geladeira se moveu, a máquina de lavar, tudo. Obviamente não consegui dormir, ainda estou muito afetada mentalmente – diz, com a voz embargada de choro. Os tremores provocaram o desabamento de pelo menos 250 prédios, segundo Jorge Rodríguez, presidente da Assembleia Nacional da Venezuela, deixaram cidades sem energia elétrica e mobilizaram operações de resgate em diversas regiões do país. Nas ruas, pessoas gritavam os nomes de seus parentes e alguns voluntários escalavam os escombros. Pessoas vasculham os escombros ao redor de um carro preso sob os restos de um prédio residencial que desabou após um terremoto em Catia La Mar — Foto: FEDERICO PARRA / AFP – Há dezenas de prédios desabados e estamos empenhados em árduos esforços de resgate para salvar as vidas que Deus nos permitir salvar – disse a presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, em uma mensagem à nação após a meia-noite de quinta-feira. Também em Caracas, a jornalista Mariana Camargo, de 22 anos, estava em casa com suas duas gatas quando começou a sentir os sismos. – Senti muito medo. Foi muito tempo de terremoto, quase um minuto. Minhas gatas também ficaram muito nervosas. Muita loucura – afirma a jovem ao GLOBO. – E, um dia depois, ainda estamos sentindo algumas réplicas. Fico em alerta sentada na minha cadeira da Unión Radio, Circuito Éxitos, onde trabalho, com medo. Rastro de destruição No município de Chacao, na região metropolitana da capital, equipes de emergência resgataram dezenas de pessoas de edifícios atingidos. Terremotos de magnitude 7,2 e 7,5 atingem a Venezuela — Foto: Juan BARRETO / AFP – Senti o terremoto quando estava no Shopping Tamanaco, que fica a cerca de alguns quilômetros de Chacao, onde moro. A magnitude foi tão forte que derrubou as frentes dos prédios. Da rua, consigo ver o interior dos apartamentos que sobraram – relata o fotojornalista Adrian Naranjo, de 29 anos, em entrevista ao GLOBO. Perto de sua casa, em Los Palos Grandes, o Edifício Las Petunias desabou completamente e, segundo Naranjo, cerca de 20 pessoas foram resgatadas com vida. – Tenho muitos conhecidos que estão desaparecidos, e soube que um amigo faleceu na região de Los Corales, em La Guaira. Os dois tremores foram graves. Eu estou com muito medo – acrescenta o fotojornalista. Ambos os sismos ocorreram a menos de 25 km de profundidade, o que significa que foram terremotos rasos, capazes de provocar tremores mais intensos na superfície. Eles foram provocados pelo atrito entre as placas tectônicas do Caribe e da América do Sul. La Guaira, a região mais devastada Ainda com dezenas de desaparecidos, as buscas seguem em Caracas e em outros estados do norte do país, como La Guaira, a região mais devastada. Em Catia la Mar, cidade portuária vizinha do estado, onde mais de 100 edifícios foram destruídos, segundo a ONU, Dani Rizo, de 48 anos, disse que viu uma menina e seu cachorro presos no meio dos escombros. Mas, segundo Dani, ela não foi resgatada a tempo. Moradores procuram sobreviventes de terremoto e tentam recuperar pertences entre os escombros de um prédio destruído em Catia La Mar, no estado de La Guaira, na Venezuela — Foto: Federico Parra / AFP Os moradores disseram ter visto poucos socorristas e uma presença mínima do governo nas primeiras horas após os terremotos. Muitos começaram a cavar nos escombros por conta própria. Um dos registros feitos por uma pessoa que participava dos resgates em uma das áreas afetadas em La Guaira mostra a retirada dramática de três irmãos com vida de escombros. – Acabamos de salvar um bebê. Vem cá, meu filho, vem cá – diz o homem que filma a cena. Três irmãos são resgatados com vida dos escombros após terremotos na Venezuela — Foto: Reprodução / X Momentos depois, aparece uma segunda menina, seguida imediatamente por uma terceira. Quando alguém lhes pergunta se são irmãos, uma das crianças responde: "Sim, somos três". Em frente a um prédio de mais de 15 andares que perdeu várias paredes nos tremores, Jean Alexander Capote, também com 48 anos, contou que perdeu parentes e não consegue encontrar a filha. – Minha casa caiu inteira. Perdi a família, minha sogra morreu, minha filha está desaparecida, não consigo encontrá-la. (Com AFP e New York Times)
'O chão fazia eu quicar': Venezuelanos relatam pânico durante terremotos que devastaram prédios e deixaram centenas de mortos
Tremores de magnitude 7,2 e 7,5 atingiram o país durante feriado nacional e já deixaram ao menos 235 mortos e 4,3 mil feridos, segundo balanço parcial
















