Trump e Netanyahu ajudaram a tornar o regime do Irã militarista, e nacionalista, além de mais laico e ousado 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Homem passa por painel com imagens do aiatolá Ali Khamenei e de seu filho, Mojtaba Khamenei, nos subúrbios ao sul de Beirute; Hezbollah agradeceu ao Irã por incluir o Líbano no acordo para encerrar a guerra no Oriente Médio — Foto: Anwar Amro/AFP RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 24/06/2026 - 20:26 Transformações no Irã: Junta Militar Assume Controle Após Guerra O regime iraniano sofreu transformações significativas desde a guerra provocada por EUA e Israel, que resultou na morte do líder supremo Ali Khamenei. Mojtaba Khamenei, seu sucessor, tem poder simbólico, e uma junta radical das Guardas Revolucionárias agora comanda o Irã, negociando em posição de força com Donald Trump. Internamente, a junta não lida com questões domésticas, delegadas ao presidente moderado Masoud Pezeshkian. A guerra reprimiu protestos e gerou mudanças sociais, tornando o regime mais militarista e nacionalista. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO O sistema de poder do Irã continua supostamente o mesmo, com um líder supremo religioso e outras figuras do clero no Conselho dos Guardiães. Há ainda um presidente eleito pela população em eleições com restrições a candidatos e um Parlamento também escolhido por votação. Ambos sempre cuidaram mais do dia a dia do país, mas estavam abaixo dos aiatolás. Este modelo, no entanto, sofreu uma profunda transformação desde que os Estados Unidos e Israel decidiram atacar o Irã e matar o então líder supremo, Ali Khamenei, em bombardeio no final de fevereiro. O novo líder supremo, Mojtaba Khamenei, não desfruta do mesmo poder de seu pai. Seu estado de saúde ainda seria grave, ele ainda não apareceu em público e é visto mais como uma liderança simbólica. Não dá para dizer que alguém seja o ditador do Irã, embora o regime seja ditatorial. Isto é, não há um Saddam Hussein ou um Bashar al-Assad, para usar como exemplo dois célebres ditadores da região que acabaram derrubados. Por este motivo, matar Khamenei não significou o fim do regime, diferentemente do que aconteceu no Iraque e na Síria após a queda de seus ditadores. Passadas algumas semanas do início da guerra e após ataques matarem outras lideranças como Ali Larijani, formou-se uma espécie de junta para comandar o país na guerra e agora nas negociações. É um grupo de radicais com origem nas Guardas Revolucionárias. A atual junta que comanda o Irã está empoderada por ter sobrevivido à guerra contra os EUA e Israel. Negocia com Donald Trump em posição de força. Provou no conflito ter a capacidade de fechar o Estreito de Ormuz e atacar aliados americanos no Golfo Pérsico quando bem entender. Fortaleceu mais uma vez o Hezbollah no Líbano contra os israelenses, após o grupo claramente ficar enfraquecido na derrota na guerra de 2024, tendo inclusive de aceitar um governo adversário político em Beirute. Integram a junta, entre outros que podem ser facilmente substituídos, o ex-prefeito de Teerã e presidente do Parlamento, Mohammad Ghalibaf, com histórico nas Guardas Revolucionárias; Ahmad Vahidi, comandante das Guardas Revolucionárias e conhecido por ser acusado de ter sido o arquiteto dos atentados terroristas contra alvos israelenses e judaicos em Buenos Aires nos anos 1990; e Mohammad Zolghadr, outro veterano das Guardas. Agem por consenso e levam em consideração posições de figuras mais extremistas e de mais moderadas dentro do regime. Internamente, esta junta não se sente responsável para administrar questões como economia, saúde, educação e transporte dentro do Irã. Esta parte cabe ao presidente Masoud Pezeshkian, de uma linha mais moderada do regime e com pouca voz nas decisões envolvendo a guerra. O conflito também ajudou a conter ao menos momentaneamente os movimentos de protesto pedindo a queda do regime como os do começo do ano, quando ao menos 7 mil manifestantes teriam sido mortos. Mesmo antes daquelas manifestações, já havia ocorrido uma liberalização em questões sociais, como uma tolerância maior com mulheres não se cobrirem e eventos como shows de música — longe de dizer que haja liberdade, embora atos pró-governo contem com mulheres sem o véu cobrindo o cabelo, segundo relato do New York Times em Teerã. Portanto, Trump e seu aliado Benjamin Netanyahu não derrubaram o regime, mas ajudaram a transformá-lo, ainda que não na forma como desejavam: hoje é um regime militarista, nacionalista, mais laico e ousado do que o anterior.
Regime militar ou dos aiatolás? Guerra provocou mudanças na estrutura de poder iraniana
Trump e Netanyahu ajudaram a tornar o regime do Irã militarista, e nacionalista, além de mais laico e ousado







