Desde que o regime iraniano não caiu depois de EUA e Israel terem lançado as primeiras bombas contra Teerã, em fevereiro, era previsível que o presidente americano entraria em modo TACO —o acrônimo em inglês para "Trump sempre amarela". A guerra, afinal, é impopular entre os apoiadores do mandatário e provocou um surto inflacionário global.
Uma base apoiadora desmotivada para ir às urnas e eleitores independentes revoltados com a alta de preços são a receita para um fracasso dos republicanos no pleito legislativo de novembro.
Mesmo Donald Trump, com sua miopia estratégica, conseguiu ver isso. Ainda assim, surpreende a escala de concessões feitas aos iranianos pela Casa Branca. É verdade que a reabertura do estreito de Hormuz à navegação, já parcialmente retomada, era o objetivo principal do mandatário neste momento, mas o custo de fazê-lo não foi pequeno.
Em relação ao programa nuclear do regime teocrático, as negociações estão em curso. O americano, contudo, não parece ter obtido nenhum grande benefício.
Os iranianos dizem não ter objetivos militares com o programa, mas essa antiga alegação não os impediu de enriquecer urânio a 60% —não há aplicação civil conhecida que exija enriquecimento superior a 20%.







