Alexandre Padilha escreveu que "SUS com qualidade só com mais investimento e inovação". A frase parece correta, mas ele reduz inovação à expansão de gasto público e à multiplicação de programas publicitários, sem enfrentar o principal desafio estrutural do SUS: a geração de valor em saúde.
Ele ainda está preso à lógica do passado, baseada no pagamento por procedimentos e no estímulo quantitativo da produção assistencial. O mundo caminha em outra direção. Sistemas modernos buscam remunerar qualidade, coordenação do cuidado e desfechos clínicos relevantes.
Foi justamente essa a lógica dos programas com base em valor, concebidos em nossa gestão no Ministério da Saúde. Voltados à qualificação da linha de cuidado e à melhoria da eficiência. Mas, tais mudanças exigem tempo de maturação. Em vez de aperfeiçoar os programas, o governo os interrompeu prematuramente, retomando a velha política do anúncio midiático.
O mesmo ocorre com o "Agora Tem Especialistas". Padilha afirma que houve aumento de 42% nas cirurgias eletivas em relação a 2022. O número decorre da comparação com o período ainda impactado pela pandemia. Contudo, os próprios dados do Ministério da Saúde mostram cenário mais modesto: 12,3 milhões de cirurgias eletivas em 2023; 13,6 milhões em 2024; e cerca de 14,7 milhões em 2025.














