As ministras do Ambiente da Colômbia e dos Países Baixos entregaram nesta terça-feira às Nações Unidas o relatório final da Conferência sobre a Transição dos Combustíveis Fósseis, que decorreu no fim de Maio em Santa Marta, na Colômbia. “O abandono dos combustíveis fósseis já não é uma questão em discussão, nem uma aspiração distante. Tornou-se parte da agenda global, fundamentada na ciência e exigida pela sociedade civil”, afirmou a ministra colombiana, Irene Vélez Torres.A entrega do extenso relatório foi feita na Semana do Clima de Londres, no meio de uma onda de calor avassaladora que está a afectar a Europa Ocidental. O documento foi entregue à directora-executiva da COP30 (a cimeira do clima do ano passado, no Brasil, que se comprometeu a apresentar um mapa do caminho para a saída dos combustíveis fósseis até à COP31, em 2026, que decorrerá na Turquia), a brasileira Ana Toni, e ao secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres.Guterres aproveitou para relacionar as alterações climáticas que estão relacionadas com a onda de calor que está a deixar de rastos França, Reino Unido e outros países europeus com a recusa dos países em deixar para trás petróleo, gás natural e carvão, e a crise energética que se vive desde que os Estados Unidos e Israel atacaram o Irão, e foi fechado o estreito de Ormuz, deixando os mercados à míngua de gás e petróleo: “A crise climática está a arrastar-nos para temperaturas cada vez mais altas e para pontos de viragem climática catastróficos, e estamos a viver uma crise energética, que expõe a loucura de um mundo viciado em combustíveis fósseis. Podem parecer crises separadas, mas partilham a mesma origem destruidora: os combustíveis fósseis”, declarou o secretário-geral das Nações Unidas.Dependências e ditadura do consensoO relatório sublinha que 75% das emissões globais de gases com efeito de estufa resultantes da actividade humana (que provocam o aquecimento global e as alterações climáticas). Mas também diz que o processo de transição para lá dos combustíveis fósseis já está a acontecer em várias regiões, mas continua a ser limitada pelas múltiplas dependências económicas relacionadas com os combustíveis fósseis, elevado custo do capital, o peso da dívida dos países mais pobres, falta de coordenação internacional e acesso limitado financiamento para pôr em prática a transição para energias renováveis.A Conferência de Santa Marta “lançou as fundações para as acções concretas necessárias para abandonar os combustíveis fósseis”, salientou a ministra do Ambiente dos Países Baixos, Stientje van Veldhoven.