Setor aposta na diversificação de possibilidades para consolidar Estado como destino Mercado do Ver-o-Peso, em Belém, apontada como uma das melhores capitais para negócios em turismo — Foto: Augusto Miranda/Ag. Pará O setor turístico paraense busca aproveitar o legado da COP30 para seguir na lista dos principais destinos do país. A conferência fez o número de turistas em 2025 crescer 30,6% no Pará, para o recorde de 1,5 milhão, com impacto econômico estimado pela Secretaria de Estado do Turismo (Setur) em R$ 1,1 bilhão. O fôlego se manteve no primeiro trimestre de 2026, quando o número de passageiros no Aeroporto Internacional de Belém cresceu 6% sobre igual período do ano passado, segundo a administradora Norte Amazônia AirPorts. O Pará tem 78 destinos reconhecidos no Mapa Brasileiro do Turismo, como a ilha de Marajó, a capital Belém e Alter do Chão. O distrito de Santarém, conhecido como “Caribe brasileiro”, é apontado pela Associação Brasileira das Operadoras de Turismo (Braztoa) como uma das apostas para 2026 por responder aos anseios atuais de “busca por natureza, reconexão e bem-estar”. “Mas esse potencial está diretamente ligado à continuidade do trabalho, à consistência das políticas e à capacidade de evolução dessas iniciativas ao longo do tempo”, alerta a Braztoa. “O turista que vem para cá não quer apenas passar por Belém. Ele quer entender como a Amazônia funciona, provar seus sabores, conhecer seus territórios, suas comunidades, seus rios, sua biodiversidade e seus modos de vida”, diz Mário César Carvalho, diretor da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes do Pará (Abrasel-PA) e CEO de empresas do setor. Belém, segundo o Índice de Favorabilidade para o Turismo, da GKS Inteligência Territorial, está entre as capitais com melhores condições para negócios em turismo, ao lado de Florianópolis, Vitória, Brasília e Salvador. O CEO da GKS, Cassio Garkalns, avalia que o Pará reúne condições para manter o boom provocado pela COP30, mas alerta: “Não adianta fazer um esforço concentrado para a COP, por exemplo, e os programas de capacitação, de divulgação de linhas de financiamento para a infraestrutura não continuarem”. Carvalho observa que a infraestrutura hoteleira, aeroportuária, urbana, viária e paisagística criada para a conferência precisa ser ocupada com produtos turísticos permanentes, qualificados e sustentáveis. “O legado da COP não pode ser apenas físico. Belém precisa preservar também esse selo simbólico da sustentabilidade, da floresta, da cultura amazônica e da economia criativa”, defende. Opinião semelhante tem o diretor executivo do Belém Convention & Visitor Bureau e executivo da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis do Pará (ABIH-PA), Reverton Ribeiro, que avalia serem necessárias estratégias para manter o Estado atrativo - e a nova infraestrutura, ocupada. “O desafio do empresariado do segmento de turismo, principalmente dos hoteleiros, é imenso”, diz. De acordo com a Setur-PA, a COP30 consolidou o Pará como referência em sustentabilidade, turismo, inovação e bioeconomia e o turismo foi um dos setores mais beneficiados, “com avanços na infraestrutura, ampliação da conectividade aérea, qualificação da mão de obra e fortalecimento da promoção turística do destino”. Dois voos internacionais foram lançados em 2025 partindo de Belém, para Miami (EUA) e para Bogotá (Colômbia); Santarém deve ganhar ligação com Belo Horizonte nos próximos meses. A secretaria destaca políticas como o Programa Qualificatur, para trabalhadores e empreendedores do turismo, e uma parceria com a Fundação Getulio Vargas para o desenvolvimento uma estratégia de captação de grandes eventos, um dos propulsores do setor, na visão de Ribeiro. O ano de 2026 traz desafios extras, acrescenta Carvalho, da Abrasel, tanto pela instabilidade internacional, com o conflito no Oriente Médio que impactou o custo das passagens áreas, quanto pela Copa do Mundo e as eleições no Brasil, que acabam limitando viagens mais longas. O valor médio das passagens aéreas acumula alta de 7,7% no ano, segundo a Agência Nacional de Aviação. O combustível usado pelos aviões subiu 53%. “Quando o custo da viagem sobe, o turista tende a escolher destinos com mais voos, mais baratos ou mais próximos”, diz Carvalho. “O Pará ganhou visibilidade. Agora precisa mostrar que consegue transformar essa visibilidade em produto, em serviço qualificado, em experiência autêntica e em desenvolvimento para quem vive aqui”, afirma.
Turismo trabalha para manter Pará na vitrine dos destinos mais procurados
Setor aposta na diversificação de possibilidades para consolidar Estado como destino











