Colheita de morango, vivência com animais e mais atrativos levam milhares ao interior do estado 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Areal, Teresópolis e Bom Jardim: destinos turísticos interioranos atraem pelas hospedagens e pelas experiências — Foto: Reprodução/Casa Guará, Ana Branco/O Globo e Reprodução/Café Monthal RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 19/06/2026 - 22:13 Turismo no interior do RJ cresce com inverno e experiências rurais O turismo no interior do Rio de Janeiro cresce com a chegada do inverno, impulsionado pela oferta de casas de temporada e experiências rurais, como colheita de morangos e contato com animais. Destinos como Teresópolis e Sapucaia atraem visitantes em busca de refúgio do caos urbano, promovendo um aumento significativo na demanda por hospedagens e experiências autênticas. Esse movimento reflete uma tendência global de busca por escapadas próximas a grandes cidades, influenciada pela sazonalidade e dinâmicas de trabalho. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO A casa no campo aparece nos sonhos de quem vive na cidade grande não é de hoje. Assim como o filho de cuca legal e um lugar para plantar amigos e livros, como já diziam os compositores “Tavito e Zé Rodrix nos anos 1970. O século é outro, mas o desejo permanece. Ele se aquece ainda mais no inverno, que começa amanhã. De acordo com o Climatempo, as massas de ar frio de origem polar vão avançar com mais abrangência na próxima semana. Na Serra, no entanto, hoje e amanhã, as temperaturas mínimas já serão expressivas. Teresópolis marcará 11ºC e 13ºC de mínimas hoje e amanhã. Em Friburgo, os termômetros devem baixar ainda mais: 10º C neste sábado, já na véspera do inverno. O clima ameno motiva cada vez mais grupos de amigos, casais e famílias a buscarem experiências distantes do que a vida urbana pode proporcionar. As hospedagens atendem a diversos perfis: de quem preza por estadias confortáveis – e às vezes luxuosa – a quem valoriza a simplicidade natural do interior. O êxodo sazonal é tão significativo que o estado do Rio já ocupa o segundo lugar entre os mais buscados destinos na estação mais fria. O Booking.com informa que entre julho e agosto de 2026 o Rio aparece à frente de Bahia, Minas Gerais e Rio Grande do Sul. Está atrás só de São Paulo, num levantamento que considera buscas por acomodações realizadas entre 1º de maio e 17 de junho de 2026. A moradora da Tijuca Morgana Braga Bittencourt, de 49 anos, foi à procura de ar puro e aconchego em Sapucaia, a 160 quilômetros da capital. Lá, ela há conheceu a Capriana, primeira Granja Leiteira de Cabras do Brasil, do engenheiro Javier Maciel. A paz, o acolhimento e o contato com a natureza fizeram a administradora se encantar com a experiência e planejar retorno com mais 20 pessoas. — Passei um dia perfeito e quis rapidamente levar todo mundo. Meu aniversário de 50 anos, em agosto, vai ser lá. Sempre fui bucólica, mas carioca nata, não tenho esse contato com a natureza e com os animais. Quis ir para viver um dia diferente, desconectada. A gente aprende muito. Ouvi, por exemplo que o êxodo tem diminuído ali. O Javier mostra que é possível ser feliz e bem-sucedido num local pequeno, no interior — diz Morgana. — Amo este tipo de programa. Para mim, é importante sair no fim de semana sair de shopping, do barulho, da violência da cidade. A Granja Capriana, que já tem uma história de mais de dez anos na produção leiteira, abriu o serviço de hospedagem recentemente e o de visitação turística, há três meses, de modo experimental. O público cresceu seis vezes de março a junho. A partir de agora, todo fim de semana tem visitas abertas para experiências de café da manhã com produtos locais, caminhada, interação com animais. Adultos pagam R$ 199 e pequenos de 5 a 12 anos, R$ 99. — As crianças vão embora chorando (risos) — brinca Javier Maciel, que explica por quê decidiu diversificar o negócio. — Essa abertura cria uma sinergia que não se reflete apenas na receita, que é fundamental para o produtor rural, mas na propagação de ideias e valores. Quando o pessoal da cidade vem aqui e conhece a origem dos alimentos, vira um agente multiplicador — diz o argentino que está no Brasil há 16 anos. Mundo afora, o turismo de interior — de 40km a 240km de grandes cidades — tem sido acompanhado por uma maior demanda de hospedagens que se adequem a rotinas mais ou menos flexíveis. Para este filão, as casas de aluguel por temporada ou short-term rental, como se diz na gringa,se multiplicam. — O turismo ele é condicionado e muito influenciado pela sazonalidade e pelas dinâmicas de trabalho. Se as pessoas têm poucas folgas, por exemplo, elas acabam viajando, usufruindo do tempo livre em destinos perto de casa. O clima também influencia nesses fluxos. Então, muitos viajantes buscam uma experiência diferente da sua rotina — explica Clara Lemos, turismóloga e professora da Uerj, que alerta para outros impactos. — Pode haver uma alta na especulação imobiliária, o que por vezes prejudica o morador local. De olho nessa tendência de busca por conforto longe do caos, que já começava a se desenhar poucos anos antes da pandemia, Helem Azevedo, com 20 anos de trabalho numa grande rede de hotelaria, passou a administrar oito casas de alto padrão em Teresópolis, as Casas Serranas. Há um ano e meio, grupos de dez a vinte pessoas, entre eles amigos, equipes de empresas ou família se hospedam em confortáveis casarões, onde dispõem de serviços de conciergeria, cozinheiro, camareira, entre outros, além de opções como churrasqueiro e pizzaiolo. Há ainda um padrão de qualidade semelhante ao do hotel: enxoval de qualidade, amenities e mais. — Notamos a mudança de comportamento e identificamos a oportunidade. O aluguel por curta temporada é solução para quem busca experiências mais intimistas, com menos regras do que um hotel. As gerações mais novas estão focadas em bem-estar, boa alimentação. Numa casa, a pessoa vai poder comprar os alimentos que costuma consumir — diz Helem, que acrescenta. — Há também as pessoas de qualquer idade que querem desfrutar de tempo de qualidade. Compõe a safra de novidades de Teresópolis o boom de propriedades que têm aberto as porteiras para receber os turistas. Depois das altas de montanhismo e enoturismo, a cidade tem sido frequentada por curiosos sobre o plantio de vegetais, a degustação de alimentos da terra ou a lida na roça. Nina Beneditino, secretária municipal, explica que fazendas de folhosos, de frutas ou de criação de animais têm buscado ampliar ofertas: — Alguns anos atrás, eram seis propriedades as que recebiam esse público. Hoje, são 23. Há ainda uma fila de espera de dez outras aguardando visita técnica para que possam se organizar para receber o visitante — diz Nina, que frisa que alguns selos são distribuídos pelo programa Vivências do Rio Rural, do governo do estado. Outra experiência é conhecer processos de produção. A Queijos de Cabra Geneve, de Rose Garcia, também em Teresópolis, possibilita que o público conheça as etapas de fabricação da queijaria à degustação. Já em São José do Vale do Rio Preto, que faz divisa com Petrópolis, a principal novidade encanta àqueles amantes de café quentinho pela manhã e vinho à noite: a Fazenda São Francisco se tornou pioneira ao unir, no Rio, a produção cafeeira de quatro décadas e a vitivinicultura. Na Vinícola Tassinari, a originalidade do projeto dá um sabor especial: — Apesar de estarmos trabalhando há 45 anos com o café, a propriedade abrimos há dois anos. A visitação às áreas de café acontece junto da experiência do enoturismo — explica Laura Tassinari, a proprietária. Em Areal, algumas propriedades em áreas montanhosas recebem casamentos e mais eventos. Ou mesmo famílias fugindo do caos da capital. A Casa Guará, do município do Centro-Sul fluminense, foi criada por uma família da capital em êxodo urbano: por seis meses da pandemia, viveram no interior e pensaram em investir na chance de mais pessoas desfrutarem da experiência. Roberta Rachid, turismóloga e proprietária, desde 2023 recebe conterrâneos, além de hóspedes da Região dos Lagos, de Minas Gerais. Já de volta ao Rio, ela mantém as idas ao interior para gerir o negócio. — A maior parte busca qualidade de tempo. Em geral, são pessoas que vivem em apartamentos e encontram aqui um refúgio para relaxar, respirar ar puro e recarregar as energias — diz a proprietária.
Turismo no interior do Rio tem alta com chegada do inverno, grande oferta de casas de temporada e experiências rurais
Colheita de morango, vivência com animais e mais atrativos levam milhares ao interior do estado






