Pará tem 60,9% do território destinado a áreas de preservação Com espantosos 88,5 metros de altura e idade estimada de 400 anos, a maior árvore do Brasil não está imune ao avanço do desmatamento. Preservar o angelim-vermelho e outras 30 árvores de porte semelhante foi a motivação para a criação da mais recente unidade de conservação (UC) do Pará, o Parque Estadual das Árvores Gigantes da Amazônia, em 2024. No oeste paraense, a área já era uma floresta estadual (Flota), mas pesquisas mostraram que, dada a sua importância ecológica, era preciso subir a categoria para proteção integral. O Estado segue criando novas UCs. Segundo o Instituto de Desenvolvimento Florestal e da Biodiversidade do Pará (Ideflor-Bio), a 30ª será na ilha do Tucundeua, em São João de Pirabas, região costeira do nordeste paraense, com manguezais e rica biodiversidade marinha e costeira. Também estão em fase de criação duas novas UCs municipais, previstas em Bujaru e Igarapé-Açu, cidades próximas de Belém. Entre unidades de conservação, terras indígenas e territórios quilombolas, o Pará tem 60,9% do território destinado a áreas de preservação e vive o desafio de assegurar que esses locais e também gerem receita para quem neles vivem. UCs de uso sustentável permitem uma gama maior de atividades econômicas, como manejo florestal e extrativismo, e abrigam 31,4 mil famílias em 16,5 milhões de hectares, segundo o Incra - dos quais 96% estão conservados. Novas políticas ligadas às cadeias produtivas da sociobiodiversidade, como o Plano Estadual de Bioeconomia, lançado em 2023, tem como premissa dar tração a atividades produtivas desenvolvidas nas UCs. O fortalecimento de 13 cadeias, como açaí, castanha, cacau, óleos essenciais e mel, é um dos três eixos do programa, os outros dois são pesquisa, desenvolvimento e inovação (PD&I) e patrimônio cultural e genético. “A criação e fomento a negócios que mantêm a floresta em pé faz parte de uma agenda estratégica de neutralidade em carbono, que inclui ainda restauração ambiental e outras frentes de descarbonização”, diz Camille Bemerguy, secretária-adjunta de Bioeconomia do Pará. Iniciativas em produção sustentável fazem parte do arcabouço para diversificar as atividades econômicas e frear o desmatamento. E, embora ainda esteja no topo dos três Estados que mais perdem a floresta amazônica, ao lado de Mato Grosso e Amazonas, o Pará tem conseguido reduzir o ritmo do desmate. A Secretaria de Estado de Meio Ambiente, Clima e Sustentabilidade (Semas) informa, a partir de dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), que o Pará consolidou, entre 2022 e 2025, uma trajetória contínua de redução do desmatamento, alcançando em 2025 o menor índice da série iniciada em 2019-2025, com 2.064 km2 derrubados, uma queda de 61% em relação ao pico de 5.238 km2 abertos em 2021. Entre 2022 e 2025, as reduções foram de 21%, 21%, 27% e 14%, respectivamente, o que evidencia a continuidade da tendência de queda. De acordo com a Semas, outras medidas que contribuem para o resultado incluem o aumento das operações de fiscalização, embargos e responsabilização ambiental e a atuação integrada entre órgãos estaduais, federais e instituições de pesquisa, além da modernização dos sistemas de monitoramento ambiental com uso de sensoriamento remoto e inteligência territorial. Já os dados do Sistema de Alerta de Desmatamento (SAD) do Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon) apontam, para o período de agosto de 2025 a março de 2026, queda de 52% nas derrrubadas de mata no Pará, superando a média de toda a Amazônia, que teve redução de 36%. “São dados positivos, que mostram que o desmatamento vem caindo também nas áreas protegidas, como UCs e terras indígenas. Essas categorias de proteção são importantes para frear a perda de florestas”, afirma Larissa Amorim, pesquisadora coordenadora do SAD. A exceção é a APA Triunfo do Xingu, em São Félix do Xingu, que ocupa a primeira posição no ranking de UCs que perderam floresta, com 35,5 km2 desmatados, segundo o Imazon. Sozinha, a área responde por mais de 95% da perda de floresta dentro do município, que aparece como o quinto mais desmatado da Amazônia no período. Segundo Amorim, mais do que delimitar essas áreas, é preciso reforçar ações de fiscalização e incentivo ao agronegócio sustentável. “Essa APA está localizada em uma área de grande pressão, com a agropecuária como grande vetor do desmatamento”, diz ela.
Unidades de conservação ajudam a frear derrubadas
Pará tem 60,9% do território destinado a áreas de preservação









