Período de maior queda no desmatamento também registra aumento recorde na safra de grãos 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Colheita de soja no estado de Goiás — Foto: Dado Galdieri/Bloomberg/21/02/2025 Entre agosto de 2025 e maio passado, a área sob alerta de desmatamento na Amazônia diminuiu 37,5% ante o mesmo período de 2024 para 2025. Foram derrubados 2.189km², a menor área da série histórica da estatística, iniciada em 2016. No Cerrado, bioma que sofre pressão maior da fronteira agrícola, a redução foi de 8,2%, com a supressão da vegetação nativa alcançando 4.208km². Se a referência for apenas o mês de maio, as quedas são, respectivamente, de 61,4% e 12,2%. Ao mesmo tempo, a safra de grãos de 2024-2025 foi de aproximadamente 352 milhões de toneladas, e a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), na sua previsão mais recente para a colheita de 2025-2026, estima o recorde de 359 milhões de toneladas. No período em que há grande redução no desmatamento, a produção agrícola continua a crescer. Tal fato demonstra que é perfeitamente possível aumentar a produção sem agredir o meio ambiente. Basta investir em ganhos de produtividade, por meio de aperfeiçoamentos no plantio. Não é necessária nenhuma nova revolução para o Brasil conciliar aumento da produção e conservação. A principal deu-se a partir dos anos 1970 com a criação da Embrapa, centro de pesquisa responsável por adaptar diversas culturas ao solo brasileiro. A tecnologia tem permitido índices de produtividade capazes de garantir o aumento de safra sem crescimento da área plantada ou ocupada por rebanhos. A evolução da produção de grãos atesta tal capacidade. Desde a safra 1976-77, a colheita anual cresceu 680%, e a área plantada aumentou apenas 125,6%. Se o país mantivesse a produtividade dos anos 1970, precisaria de 205 milhões de hectares a mais para colher a mesma safra, ou 24% do território nacional. O aumento de produtividade foi alcançado não apenas na adaptação de culturas ao clima e ao solo brasileiros. A terra também passou a ser mais bem aproveitada, com mais de uma safra por ano. O melhor exemplo é o milho, até os anos 1980 plantado apenas para a safra de verão. Semeado de setembro a dezembro, era colhido de janeiro a maio. O avanço da soja, colhida em janeiro e fevereiro, permitiu o uso da mesma área para uma segunda safra de milho, a “safrinha” de inverno que, apesar do nome, representa mais de 75% da produção de 128 milhões de toneladas do grão. Na entressafra, o solo pode ser usado no cultivo de capim, que ajuda a regenerá-lo e serve de pastagem ao gado. Fecha-se, assim, o calendário agrícola, com aumento da lucratividade do produtor, sem que seja necessário avançar sobre áreas protegidas. A ciência e a tecnologia têm permitido a convivência do agronegócio com políticas ambientais. A conservação das florestas é essencial para proteger o campo das mudanças no regime de chuvas e no clima. E também para blindar o produto nacional das acusações de grupos protecionistas que acusam o Brasil de desmatar florestas para expandir a agropecuária. Não há contradição entre proteção ambiental e avanço agrícola. Só ignorantes ou defensores do atraso insistem no contrário.
Realidade mostra que conservar florestas não prejudica agronegócio
Período de maior queda no desmatamento também registra aumento recorde na safra de grãos








