Se continuar nesse caminho, Brasil possivelmente terá a menor taxa oficial de desmatamento desde o início das medições por satélite, em 1988 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 O Parque Estadual das Árvores Gigantes da Amazônia, no Pará — Foto: Divulgação / Pablo Albarenga - Proteja as Árvores Gigantes A Amazônia registrou, em 2026, a menor área sob alertas de desmatamento da série histórica: 2.874 km², uma queda de 36% em relação ao ano passado (4.495 km²) e um resultado 55,6% abaixo da média dos últimos dez anos (2015/2016 a 2024/2025). Os dados do Sistema de Detecção do Desmatamento em Tempo Real (Deter) são referentes ao período de agosto de 2025 a julho de 2026. No Cerrado, a área sob alertas foi de 5.119,46 km², uma redução de 7,8% em relação ao período anterior e o menor valor dos últimos cinco anos. Segundo o Observatório do Clima, esses números aumentam a chance de o Brasil registrar o recorde histórico de queda do desmatamento quando os dados finais forem divulgados, nos próximos meses. Os dados do Inpe mostram que a área sob alertas medida nos 12 meses entre agosto de 2025 e julho de 2026 (o “ano fiscal” do desmatamento) é a menor desde 2016, quando a série atual do Deter foi iniciada. Nos quatro anos do governo Lula 3, a área sob alertas na Amazônia somou 19.642 km², uma queda de 41% em relação ao período de 2019 a 2022, que registrou 33,4 mil km² (pouco mais que uma Bélgica). Na avaliação do Observatório do Clima, ações do Ibama, como os embargos coletivos de áreas desmatadas e os embargos remotos por satélite, contribuíram para a queda. No total, segundo o Ibama, foram embargados 350 mil hectares de áreas com desmatamento irregular na Amazônia em 2026. No Brasil inteiro, 815 mil hectares foram embargados remotamente desde 2023, quase metade dos 2 milhões de hectares embargados em todo o país no período. O governo divulgou os dados consolidados do Sistema Prodes referentes ao período de agosto de 2024 a julho de 2025. Na Caatinga, a área desmatada foi de 2.289,54 km², uma redução de 34,3% em relação ao período anterior. Na Mata Atlântica, a área desmatada foi de 402,36 km², uma redução de 15,32%. No Pampa, a área desmatada foi de 305,48 km², uma redução de 41,7%, a maior queda proporcional entre os três biomas. A diferença O Deter produz alertas diários para orientar as ações de fiscalização e controle do desmatamento. O Prodes realiza o mapeamento anual da supressão de vegetação nativa e produz dados consolidados utilizados no acompanhamento das políticas públicas de proteção dos biomas brasileiros. O Observatório do Clima explica que os dados do Deter têm permitido antecipar o comportamento do Prodes. Ou seja, se a queda de quase um terço observada em 2026 no Deter for repetida no Prodes, o Brasil possivelmente terá a menor taxa oficial de desmatamento desde o início das medições por satélite, em 1988. — Os números apresentados hoje são históricos, fruto de políticas sérias de proteção ambiental, e provam que é plenamente possível cumprir o compromisso assumido pelo país de zerar e reverter o desmatamento até 2030 — diz Marcio Astrini, secretário executivo do Observatório do Clima, em nota.