O governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) anunciou com certo alarde uma notícia animadora: volta a cair o desmatamento na amazônia. A boa-nova exige contextualização para aquilatar-lhe o devido significado, mas não desmerece o sucesso nessa área sensível.
Segundo o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), as derrubadas recuaram 36%, para 2.874 km², entre 1º de agosto de 2025 e 31 de julho de 2026 —intervalo escolhido para coincidir com o início da estação mais seca. No último período sob responsabilidade da administração de Jair Bolsonaro (PL), a devastação era o triplo, com 8.590 km².
Pode-se ponderar que o número total de 2.874 km² de superfície desmatada constitui um desperdício irracional, em que pese o aspecto positivo da redução.
Se cada quilômetro quadrado desse tipo de floresta pode conter em torno de 56 mil espécimes vegetais com tronco de 10 cm de diâmetro ou mais, depreende-se que em 2025/26 pereceram ali mais de 160 milhões de árvores, cerca de 443 mil por dia.
Cabe assinalar que o dado provém do sistema Deter do Inpe, que orienta ações de fiscalização em tempo real e não apura a taxa oficial de desmate. Esta compete ao programa Prodes, também do Inpe, que usa outras imagens de satélite e publica a cifra oficial normalmente em novembro.














