Vencedor, Espriella apostou no populismo e na polarização, que tornam mais difícil governar o país 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 O presidente eleito da Colômbia, Abelardo de la Espriella — Foto: Juan BARRETO / AFP/21/06/2026 O resultado das eleições presidenciais colombianas no domingo, vencidas pelo oposicionista Abelardo de la Espriella, reflete o avanço da ultradireita populista na América Latina, inspirada e apoiada por Donald Trump. Como Jair Bolsonaro em 2018, Espriella fez uma campanha digital agressiva e usou a camisa da seleção de futebol para explorar o nacionalismo. Como Nayib Bukele em El Salvador em 2019, prometeu o encarceramento em massa para derrotar o “narcoterrorismo”. E, como Javier Milei na Argentina em 2023, apresentou-se como candidato antissistema. Advogado sem experiência política com dupla cidadania colombiana e americana, Espriella se une a outros líderes da direita latino-americana que prometem fortalecer os laços com os Estados Unidos de Trump, caso do equatoriano Daniel Noboa, do chileno José Antonio Kast, do boliviano Rodrigo Paz e mesmo da peruana Keiko Fujimori, que lidera a contagem de votos no pleito recente. De acordo com os resultados preliminares, Espriella obteve 49,7% dos votos, ante 48,7% do rival Iván Cepeda — apoiado por Gustavo Petro, primeiro presidente de esquerda da Colômbia. “Governarei para todos os colombianos”, afirmou ao vencer. “Não haverá terceiro turno nas ruas.” Sem grande estrutura partidária, Espriella tentou acalmar investidores escolhendo como vice José Manuel Restrepo, um ex-ministro da Fazenda de orientação liberal. Na economia, os desafios são semelhantes aos brasileiros: déficit público crônico e o maior nível de endividamento em duas décadas. O sistema de saúde precisa de reforma urgente, e a estratégia de Petro de negociar com todos os grandes grupos criminosos permitiu que guerrilhas, narcotraficantes e paramilitares expandissem seu domínio sobre o território. Para enfrentar as duas chagas, Espriella promete uma mistura das ideias do argentino Milei às do salvadorenho Bukele. Uma vez no poder, porém, tais promessas costumam se frustrar diante da realidade. O clima de polarização em que os populistas são eleitos se revela um empecilho a qualquer governo que precise de apoio na sociedade para avançar suas propostas. A retórica divisiva pode funcionar para conquistar o poder, mas é péssima para exercê-lo. Sinal dos efeitos nefastos da polarização é a ameaça latente que ela representa à democracia. Petro não aceitou o resultado do primeiro turno realizado em maio, desfavorável a Cepeda. No domingo, sem apresentar provas de fraudes, Cepeda anunciou que seu partido pedirá a impugnação de 33 mil mesas eleitorais, quantidade suficiente para mudar uma eleição decidida por 250 mil votos. Ao ensaiarem não aceitar a derrota, Petro e Cepeda seguem um roteiro já testado por Trump nos Estados Unidos e Bolsonaro no Brasil. Prestam um desserviço ao próprio país. Deveriam lembrar exemplos como o chileno Gabriel Boric, um esquerdista que recebeu seu adversário Kast para discutir a transição de governo assim que ficou clara a derrota. Saber perder é a essência de qualquer regime democrático.
Eleição na Colômbia reflete avanço da ultradireita na América Latina
Vencedor, Espriella apostou no populismo e na polarização, que tornam mais difícil governar o país
Abelardo de la Espriella vence eleição colombiana com 49,7%, refletindo avanço da ultradireita populista na América Latina. Polarização política ameaça previsibilidade regulatória, impactando ambiente de investimento tech na região.













