Candidato antissistema apoiado por Donald Trump venceu o esquerdista Iván Cepeda por uma margem pequena dos votos no segundo turno Espriella faz tradicional gesto de continência durante discurso de vitória a apoiadores — Foto: Jair Coll/Reuters A Colômbia elegeu neste domingo o advogado Abelardo De La Espriella como novo presidente, segundo uma contagem preliminar dos votos, marcando uma forte guinada política e colocando em primeiro plano uma agenda de segurança linha-dura e políticas econômicas favoráveis ao mercado. Apelidado de "El Trigre" por seus seguidores, Espriella se apresentou como um salvador antissistema capaz de revitalizar a combalida economia colombiana e restaurar a ordem em um país abalado pela atuação de grupos armados ilegais e pelo narcotráfico. Espriella começou a ganhar popularidade no início do ano com seu discurso de combate duro ao crime. Ele venceu o primeiro turno, no fim de maio, com 43,7% dos votos, e derrotou o senador de esquerda Iván Cepeda no segundo turno por 49,66% a 48,7%, segundo a contagem da Registradoria Nacional. O eleito, que responsabiliza o atual presidente, Gustavo Petro, pelos problemas econômicos e de segurança do país, conquistou uma parcela expressiva do eleitorado com promessas de reduzir o tamanho do Estado em 40%, ampliar a base tributária e encerrar os esforços de paz com grupos armados em favor de uma resposta militar mais rígida. Ele pretende retomar a exploração de petróleo e autorizar o fraturamento hidráulico (fracking) para quase dobrar a produção, elevando-a para 1,3 milhão de barris por dia. Espriella afirma ter financiado a própria campanha e diz que seu movimento "Defensores da Pátria" cresceu sem apoio de partidos políticos tradicionais ou grupos empresariais, informação que não pôde ser verificada de forma independente. Além de advogado, Espriella possui um vasto império empresarial que inclui negócios nos setores de vinho, rum, vestuário e mercado imobiliário. O veículo de jornalismo investigativo La Silla Vacía constatou que muitas de suas empresas foram dissolvidas, estão endividadas ou registraram prejuízo em 2024, sendo seu escritório de advocacia o empreendimento mais lucrativo. Segundo o portal, a campanha Espriella se recusou a responder a questionamentos sobre os negócios do candidato, mas posteriormente contestou o financiamento do veículo em uma carta pública. O La Silla Vacía rejeitou as acusações de parcialidade. Espriella, de 47 anos, utilizou uma saudação militar durante toda a campanha, apesar de nunca ter servido nas Forças Armadas. Frequentemente visto usando relógios de luxo, óculos de sol de grife e exibindo uma barba cuidadosamente aparada, ele tem sido comparado ao presidente de El Salvador, Nayib Bukele, que se autodenomina "o ditador mais descolado do mundo". Bukele implementou políticas de segurança duras e construiu megapresídios que reduziram os índices de criminalidade em El Salvador a alguns dos menores da América Central, levando outros países a defender medidas semelhantes. Nesse processo, mais de 90 mil pessoas foram detidas, o que gerou críticas de organizações de direitos humanos. Espriella nega estar imitando Bukele, mas propôs a construção de 10 megapresídios na Colômbia. O presidente eleito também foi alvo de críticas por ter atuado como advogado de Alex Saab, acusado nos Estados Unidos de lavar dinheiro para o ex-presidente venezuelano Nicolás Maduro. Ele também representou pessoas ligadas a escândalos de corrupção, desvio de recursos e grupos paramilitares de direita, afirmando que suas relações profissionais como advogado não implicam cumplicidade ou prática de crimes. Espriella, casado e pai de quatro filhos, cresceu na cidade caribenha de Montería e é conhecido como intérprete do tradicional gênero musical vallenato. Cidadão dos Estados Unidos, da Itália e da Colômbia, ele deve assumir a Presidência em 7 de agosto.