Advogado de extrema direita derrotou o governista Iván Cepeda por menos de um ponto percentual; quase dois terços da diferença de votos vieram dos colombianos residentes no exterior 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 O candidato presidencial da Colômbia pelo movimento Defensores de la Patria, Abelardo de la Espriella, fala aos apoiadores por trás de um vidro à prova de balas após os resultados preliminares do segundo turno das eleições presidenciais no monumento Ventana al Mundo em Barranquilla, Colômbia, em 21 de junho de 2026 — Foto: JUAN BARRETO / AFP RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 22/06/2026 - 10:21 Abelardo de la Espriella vence eleição colombiana com apoio do exterior A vitória de Abelardo de la Espriella nas eleições colombianas, por menos de um ponto percentual, foi impulsionada pelo voto no exterior, com quase dois terços da diferença de votos vindo de colombianos fora do país. O advogado de extrema direita, apoiado por Donald Trump, derrotou o esquerdista Iván Cepeda, gerando protestos em cidades como Bogotá. De la Espriella promete uma ofensiva militar contra a guerrilha, rejeitando a "paz total" proposta por Petro, e tem apoio de líderes conservadores na América Latina. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO O presidente eleito da Colômbia, o outsider de extrema direita Abelardo de la Espriella, celebrou no domingo o início de uma "nova era" no país após derrotar, no segundo turno mais apertado da história, o candidato da esquerda, que governou o país pela primeira vez nos últimos quatro anos. A vitória por menos de um ponto percentual foi impulsionada pelo forte apoio dos eleitores colombianos residentes no exterior. O advogado, de 47 anos e sem experiência política, venceu o senador governista Iván Cepeda, aliado do presidente Gustavo Petro, no momento em que o país enfrenta a pior onda de violência da última década. Entre os colombianos que vivem fora do país, De la Espriella recebeu 63,8% dos votos e abriu uma vantagem de 177.809 votos sobre o adversário. Quase dois terços da diferença final entre os candidatos vieram desse segmento do eleitorado. Com o apoio do presidente americano, Donald Trump, a vitória de Espriella foi recebida com protestos em cidades como Bogotá e Cali, onde manifestantes queimaram bandeiras dos Estados Unidos e estabeleceram barricadas. Aos gritos de "resistência!", milhares de pessoas ocuparam as ruas das duas cidades. Em alguns pontos, os atos terminaram em confrontos entre manifestantes encapuzados e a tropa de choque da polícia, segundo jornalistas da AFP. As cenas lembraram a onda de protestos que abalou a Colômbia entre 2019 e 2021. Muitos participantes criticaram propostas de campanha do presidente eleito, como o endurecimento da política de segurança e da repressão às manifestações. — Não vamos nos conformar com um governo agressivo que queira nos perseguir e nos destruir, como ele já disse que fará — afirmou em Bogotá Isabella Giraldo, empreendedora de 26 anos. O governo de Petro ampliou programas sociais voltados à população mais vulnerável e mantém alta popularidade entre as classes mais baixas. Muitos dos manifestantes temem perder esses benefícios em um dos países mais desiguais do mundo. — Vamos demonstrar nossa insatisfação porque ele é muito contrário a direitos básicos pelos quais as comunidades e as mulheres lutam há tanto tempo — afirmou Natalia, estudante de marketing de 26 anos. Atrás de uma barreira de vidro à prova de balas, o advogado celebrou o início de uma "nova história para a nação". A apuração preliminar oficial aponta sua vitória com 49,6% dos votos, contra 48,7% de Cepeda. — Começa uma nova era, uma mudança de ordem, a Pátria Milagre — disse na cidade caribenha Barranquilla em seu primeiro discurso diante de milhares de simpatizantes, após chegar ao local em um veículo semelhante ao papamóvel. De la Espriella, que tem cidadania colombiana e americana, derrotou a esquerda que buscava acordos de paz com todos os grupos armados. — Aqueles que semearam violência, terror, narcotráfico e corrupção durante todos estes anos, o tempo de vocês acabou — declarou o presidente eleito, que governará até 2030 e que se autodenomina "O Tigre". Cepeda declarou que não aceitará a derrota antes da apuração final, que deve demorar alguns dias, e que pretende contestar 33.000 urnas, processo com o qual espera reverter o resultado. — Não vamos apoiar este governo — disse à AFP Brandon, um estudante de 19 anos que protestava nas ruas de Bogotá. — Ele não me representa como jovem. Veremos mais manifestações. De la Espriella afirmou que o presidente dos EUA manifestou apoio em uma ligação telefônica. Mais tarde, Trump publicou na rede Truth Social a mensagem "Ganhou, GRANDE!" com uma fotografia do presidente eleito. Apoio da direita latino-americana A vitória de De la Espriella também foi celebrada por líderes conservadores da América Latina, próximos a Trump. O presidente da Argentina, Javier Milei, foi um dos primeiros a parabenizar o colombiano, afirmando que a maioria dos eleitores escolheu "o caminho da liberdade econômica, da prosperidade e da segurança implacável". Em publicação na rede X, Milei declarou ainda que "a liberdade avança em toda a América Latina e já não há volta atrás" e afirmou que "o Leão e o Tigre rugem na América Latina", em referência aos apelidos adotados por ambos os políticos. O presidente do Equador, Daniel Noboa, também comemorou o resultado, afirmando que a Colômbia escolheu "a ordem em vez da impunidade". Segundo ele, os dois governos compartilham a convicção de que a região precisa de mais segurança e de uma postura firme contra o crime organizado. O presidente do Chile, José Antonio Kast, também felicitou De la Espriella "por seu grande triunfo eleitoral", assim como o líder do Panamá, José Raúl Mulino, que desejou "o maior dos êxitos". A Nobel da Paz e líder da oposição venezuelana, María Corina Machado, previu boas relações com a Colômbia e disse esperar uma aliança com o novo governo em favor de uma transição democrática na Venezuela. Em meio a um processo de apuração dos votos que pode declarar sua vitória como presidente do Peru, Keiko Fujimori celebrou que "sopram novos ventos para a América Latina". O discurso de De la Espriella a favor de Washington, das forças de segurança e dos empresários é similar ao de outros presidentes na região, como o salvadorenho Nayib Bukele e o argentino Milei. De la Espriella é alvo de críticas por seus frequentes comentários machistas e homofóbicos e por representar como advogado vários paramilitares e narcotraficantes. Em entrevista à AFP, o presidente eleito disse que buscará o apoio dos EUA e de Israel para atacar a guerrilha com bombardeios e fumigações de plantações de drogas no país, o maior produtor mundial de cocaína. Além disso, ele conquistou votos como "inimigo ferrenho" da esquerda diante dos poucos avanços nas negociações com as máfias e em um contexto de relações tensas com Washington. A lei colombiana não permite a reeleição e Petro escolheu como candidato Cepeda, um defensor de direitos humanos, de 63 anos, que apostava em fortalecer os programas sociais que beneficiaram os mais pobres e marginalizados em um dos países mais desiguais do mundo. Uma década após o acordo de paz com as Farc, a campanha foi marcada pela violência de grupos armados com bombas, drones explosivos e o assassinato de um candidato à presidência. Contra as máfias O presidente eleito é contrário à chamada "paz total", com a qual Petro pretendia enterrar décadas de conflito armado por meio do diálogo com grupos criminosos do narcotráfico e com as guerrilhas. Especialistas alertam que suas promessas de ofensiva militar podem gerar uma nova espiral de violência. Com uma saudação militar, De la Espriella exibe seu talento como cantor em entrevistas ou a vida de luxo que levava na Itália. — Ele se conecta com um eleitorado que já está muito cansado da insegurança e precisa de soluções de choque, mas também encarna um modelo aspiracional do empresário que construiu sua fortuna — diz Luisa Lozano, especialista da Universidade de La Sabana. Ele defende o porte de armas, a construção de mega-presídios, a exploração de petróleo com fracking, cortar o Estado em 40% e considera que o "ideal" seria dolarizar a economia. Também propõe revisar a permanência da Colômbia em organismos internacionais como a ONU e a OEA. (Com AFP)
Voto no exterior foi fundamental para a vitória de Espriella na Colômbia; Presidente eleito fala em 'nova era'
Advogado de extrema direita derrotou o governista Iván Cepeda por menos de um ponto percentual; quase dois terços da diferença de votos vieram dos colombianos residentes no exterior











