A massa falida do Grupo Itapemirim deve começar o pagamento dos credores nos próximos dias. Mas documentos obtidos pela coluna mostram que o processo acontece em meio a um imbróglio judicial envolvendo o arrendamento de linhas interestaduais que pertencem à companhia.

A disputa opõe a administradora da massa falida, a atual arrendatária, concorrentes que desejam operar as linhas e a ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres).

Decisão do STJ (Superior Tribunal de Justiça) do último dia 9 determinou a continuidade do processo competitivo pelo arrendamento "sobretudo pela apresentação de propostas por renomadas empresas do setor e pela situação de urgência descrita nos autos", decretou o tribunal, atendendo a pedido da Viação Águia Branca, que pleiteia a concessão, hoje em dia operada pela Suzantur em caráter temporário e emergencial.

O contrato foi feito pela administradora EXM Partners, em setembro de 2022. A Suzantur repassaria à massa falida da Itapemirim 1,5% da receita líquida da venda de passagens, assegurando um mínimo mensal de R$ 200 mil.

A concessão foi contestada por outras empresas do setor, que alegaram ter apresentado propostas superiores. A Viação Garcia prometeu 1,65% da receita líquida, mas sem garantir um mínimo, depois elevaria o valor para R$ 3,02 milhões. A Expresso União ofereceu R$ 1 milhão por mês e depois subiu para R$ 1,5 milhão. A Água Branca propôs R$ 1,2 milhão. A Intese Empreendimentos ficou nos R$ 500 mil mensais.